A jogadora Akita, da G2 Gozen, expôs publicamente uma situação perturbadora: ela e suas companheiras de equipe receberam ameaças de morte durante o VALORANT Game Changers 2026 — Championship, o mundial inclusivo de VALORANT realizado em São Paulo. Em uma publicação no X (antigo Twitter) nesta terça-feira (27), a atleta também criticou os insultos direcionados ao time durante as partidas.
O relato de Akita sobre as ameaças no Game Changers 2026
Segundo Akita, as ameaças começaram depois que os torcedores descobriram que a equipe participaria do campeonato na capital paulista. A jogadora afirmou que decidiu tornar o caso público mesmo com receio das possíveis consequências de suas declarações.
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“Olá pessoal, como estou no avião, estou aproveitando o tempo para escrever para vocês. Ainda estou desolada pelo nosso desempenho nos Worlds, porque sei que somos muito melhores do que mostramos. Talvez eu venha a sofrer as consequências do que estou prestes a dizer, mas durante esses Campeonatos, minhas colegas de equipe receberam ameaças de morte, além de ameaças de depois que alguns fãs descobriram que íamos participar da competição em São Paulo. Durante as partidas, também recebemos muitos insultos na torcida que não têm cabimento”, escreveu.
Ela continuou, explicando o impacto emocional: “Estou contando isso mesmo sabendo que talvez fosse melhor ficar em silêncio, mas eu me importo pessoalmente porque esse tipo de comportamento, somado à falta de apoio ao longo do ano todo, me fez duvidar da legitimidade do meu trabalho e do valor de todos os esforços que fornecemos. Não importa a forma como eu desempenho ou o número de horas que dedico ao jogo, às vezes tenho a impressão de que as pessoas não veem tudo o que nós damos.”
Ainda assim, Akita fez questão de elogiar suas colegas: “No entanto, minhas colegas de equipe são pessoas incríveis, verdadeiros anjos em termos humanos, e sou grata por viver essa aventura ao lado delas. Enfim, o que mais me machuca é que eu amo sinceramente o que faço. O esports sempre me encheu os olhos de estrelas. Por trás dos nossos resultados, há horas de trabalho, paixão e pessoas que dão tudo de si. Eu só gostaria que as pessoas vissem o que há por trás das nossas performances, porque além dos resultados, nós também somos seres humanos.”
Contexto: histórico de controvérsias entre G2 e a comunidade brasileira
O relato de Akita não acontece no vácuo. A G2 e a comunidade brasileira de VALORANT já têm um histórico de atritos. Na edição anterior do mundial inclusivo, uma postagem da jogadora amy, também integrante da equipe, provocou repercussão negativa nas redes sociais. Após uma derrota da organização europeia, amy publicou no X uma mensagem que mencionava o MIBR acompanhada de um emoji de macaco. Na ocasião, a equipe brasileira seria a próxima adversária da organização no campeonato.
Esse episódio anterior ajuda a explicar — mas de forma alguma justifica — a hostilidade direcionada às jogadoras. É importante separar rivalidade esportiva de ataques pessoais. Ameaças de morte não são torcida, não são provocação e não têm lugar no esports.
O que isso significa para o cenário inclusivo
O Game Changers existe justamente para criar um espaço competitivo para mulheres no VALORANT. Quando jogadoras precisam vir a público relatar ameaças de morte, fica claro que o caminho para um ambiente saudável ainda é longo. A falta de apoio mencionada por Akita — ao longo de todo o ano — é um ponto que merece atenção de organizações, produtoras de campeonatos e da própria comunidade.
Não tenho todas as respostas aqui, e seria leviano fingir que tenho. Mas uma coisa é certa: nenhuma atleta deveria precisar escolher entre o silêncio e a exposição para se proteger. O relato de Akita é desconfortável de ler — e deveria ser. Talvez seja exatamente por isso que ele precisa ser lido.
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Fonte: THESPIKE








