FURIA começa Stage 2 do VCT Americas com derrota para Cloud9

A FURIA Esports teve um início difícil no VCT Americas 2025 Stage 2, sendo derrotada por 2 a 0 pela Cloud9 nesta quarta-feira. A equipe brasileira entrou em campo com um elenco bastante modificado - mantendo apenas Olavo "heat" Marcelo da formação anterior - e ainda sem três peças importantes: o jogador Luis "basic" Henrique e os treinadores Ian "shaW" Jardim e Lucas "Kamino" Kamino, que não conseguiram ter seus vistos aprovados a tempo.

Não foi o cenário ideal para uma estreia, especialmente considerando que a Cloud9 é uma das equipes mais consistentes da região. Mas como dizem no esporte, o show precisa continuar - mesmo quando as cartas estão contra você.

Os mapas e a atuação da FURIA

No primeiro mapa, Haven (escolha da FURIA), o time brasileiro mostrou alguns lampejos de bom jogo, indo para o intervalo perdendo por apenas 7 a 5. Mas o que aconteceu depois foi preocupante: a Cloud9 venceu todas as rodadas da segunda etapa, fechando o mapa com o mesmo placar de 7 a 5.

Já em Bind (escolha da Cloud9), a história foi diferente desde o início. A equipe norte-americana dominou a primeira metade do jogo, terminando com impressionantes 9 vitórias contra apenas 3 da FURIA. O segundo tempo não trouxe reação - a Cloud9 fechou o mapa com um convincente 13 a 4.

Próximos desafios

Agora, a FURIA precisa se recuperar rapidamente para enfrentar a Sentinels na próxima sexta-feira (25). Será outro teste difícil para o time brasileiro, que claramente ainda está em processo de adaptação com sua nova formação.

Enquanto isso, a Cloud9 segue confiante para enfrentar a Evil Geniuses no domingo (27). Com essa vitória, eles já demonstram que vieram para brigar no topo do torneio.

Análise técnica: onde a FURIA precisa melhorar

Observando os números frios da partida, alguns problemas estruturais da FURIA ficam evidentes. A equipe teve um aproveitamento de apenas 18% em clutches (situações de desvantagem numérica) contra 42% da Cloud9 - um abismo que explica boa parte da diferença no placar final. E não foi por falta de oportunidades: em pelo menos 5 rodadas cruciais, os brasileiros estiveram a um passo da virada, mas falharam na execução.

Outro dado preocupante foi o baixo impacto do time nas rodadas de pistola, perdendo 3 das 4 disputadas. No cenário competitivo atual, onde o controle econômico é tão decisivo, começar atrás no score pode ser um pesadelo - especialmente contra times experientes como a Cloud9, que sabem explorar cada vantagem.

O fator ausência: como a falta de peças-chave afetou o time

É impossível analisar essa derrota sem considerar o contexto adverso que a FURIA enfrentou. Sem basic (seu principal entry fragger) e sem dois membros essenciais da comissão técnica, o time jogou com uma mão nas costas. Heat, agora o jogador mais experiente do elenco, teve que assumir um papel de liderança inédito enquanto ainda se adaptava aos novos companheiros.

"É como tentar dirigir um carro de F1 sem o engenheiro-chefe no rádio", comparou o caster André "Drop" Abreu durante a transmissão. A analogia faz sentido - nas partidas anteriores, era visível como as chamadas táticas de shaw e Kamino davam à FURIA uma identidade clara, algo que faltou nesta estreia.

Os pontos positivos em meio ao revés

Nem tudo foram nuvens cinzentas para o lado brasileiro. O novo duelista, Gabriel "qck" Bertoni, mostrou flashes de brilhantismo em momentos isolados, especialmente em rounds eco. Seu 1v3 no 12º round de Haven foi um dos melhores lances da partida, demonstrando que há potencial a ser desenvolvido.

Outro destaque foi a evolução de Arthur "artzin" Araújo como flex. O jogador, que antes era criticado por sua inconsistência, parece ter trabalhado bem seu repertório de agentes - alternando entre Skye e Breach com relativo conforto contra uma das melhores equipes do mundo.

O que esperar do confronto contra a Sentinels

O próximo desafio não será mais fácil. A Sentinels vem de uma vitória convincente contra a NRG e parece ter encontrado sua identidade com a nova formação. O grande trunfo deles? Exatamente o que falta à FURIA no momento: consistência tática e experiência em situações de alta pressão.

Para ter alguma chance, a FURIA precisará resolver três questões urgentes:

  • Melhorar a comunicação nas rodadas decisivas

  • Ajustar os posicionamentos defensivos (especialmente em Bind)

  • Encontrar um padrão claro de jogo nas rodadas de compra parcial

Uma luz no fim do túnel é a possível chegada de basic e da comissão técnica para os próximos jogos. Fontes próximas ao time sugerem que os documentos de visto estão em fase final de aprovação, o que daria um gás importante para a campanha no Stage 2.

Enquanto isso, os fãs brasileiros torcem para que o tempo de preparação extra - a FURIA terá apenas um dia a mais que a Sentinels - seja suficiente para corrigir os erros mais gritantes. Vale lembrar que na temporada passada, a equipe também começou com derrota, mas conseguiu se recuperar para chegar aos playoffs.

Com informações do: Game Arena