Após uma derrota difícil para a G2 nas semifinais do BLAST Open London 2025, o técnico da FURIA, Sid "sidde" Macedo, falou abertamente sobre os desafios que a equipe enfrenta em partidas realizadas em grandes arenas. Apesar da campanha impressionante na fase de grupos online, onde a equipe brasileira derrotou Spirit e MOUZ, o time não conseguiu repetir o mesmo desempenho no palco principal.

O desafio das arenas

"Mesmo não sendo nossos primeiros playoffs, e sendo sempre a mesma coisa, é difícil para nós vencer uma partida em arena", compartilhou sidde após a derrota para a G2. A FURIA tem acumulado participações em playoffs este ano, chegando às fases de arena do PGL Astana, BLAST.tv Austin Major e IEM Cologne, mas ainda não conseguiu ser competitiva o suficiente para disputar o título.

O técnico foi sincero ao admitir que a equipe está em um processo de aprendizado. "Estamos no processo de aprender como jogar esses grandes jogos nessas grandes arenas. A única maneira de chegar a esse nível é quando você, como time, está acostumado com esse tipo de jogo e esse tipo de oponente."

A diferença de experiência

sidde destacou a vantagem de experiência dos jogadores da G2 em comparação com sua equipe. "huNter-, SunPayus, malbsMd estão acostumados com grandes jogos como este. Nós, como time agora, simplesmente não estamos lá ainda."

Ele explicou que a energia e o nível individual da G2 foram decisivos na partida. "Eles estavam mais animados, mais aquecidos, de alguma forma. Individualmente, estávamos muito atrás deles em termos de tiros, o nível deles estava tão alto. Foi muito difícil igualar."

O desenvolvimento de molodoy

Um ponto interessante abordado pelo técnico foi o desenvolvimento do jovem jogador molodoy, que já está em sua terceira arena mesmo no início de sua carreira. "Às vezes até esquecemos o quão jovem ele é e quão rápido ele está transitando entre tier-three, tier-four e tier-one."

sidde acredita que cada experiência em arena é valiosa para o desenvolvimento do jogador. "Para ele, claro, qualquer arena ou jogo grande que ele jogue, mesmo que não performe, ele está coletando experiência e adicionando ao seu currículo até o ponto em que se sente mais confortável."

O técnico reconhece que a transição não é fácil. "Muitas coisas passam pela mente de um jogador quando você passa por esse tipo de transição. Para ele, é apenas uma questão de acumular jogos em arena e quando menos esperarmos, ele também terá bons jogos nas arenas."

Apesar da derrota, sidde agradeceu o apoio dos fãs brasileiros presentes em Londres. "É muito legal que os fãs brasileiros foram muito barulhentos, nos fez sentir em casa um pouco. Mesmo tendo tido uma partida difícil, eles estiveram aqui apoiando o tempo todo, muito gratos por eles."

O técnico também destacou como a pressão psicológica difere drasticamente entre as partidas online e os jogos em arena. "Nas eliminatórias online, você está no conforto do seu ambiente de treino, com rotinas estabelecidas. Em arena, tudo muda - a iluminação, o barulho da multidão, a sensação de que milhares de olhos estão te observando. São variáveis que ainda estamos aprendendo a administrar."

E essa administração vai muito além do aspecto técnico do jogo. Sidde mencionou que a equipe tem trabalhado com psicólogos esportivos para desenvolver técnicas de respiração e concentração que ajudem os jogadores a manterem o foco mesmo sob intensa pressão. "Não adianta ter mil estratégias se sua mente não consegue processar informações claramente na hora H."

A preparação específica para arenas

O que muitos torcedores podem não perceber é como a preparação para jogos em arena difere dos preparativos normais. Sidde revelou que a equipe tem experimentado com simulações de ambiente de arena durante os treinos. "Às vezes colocamos som alto de multidão, luzes estroboscópicas, tudo para tentar replicar aquela sensação desconcertante que você experimenta no palco principal."

Ele admitiu que ainda estão descobrindo quais métodos funcionam melhor. "Alguns jogadores preferem isolamento completo antes das partidas, outros precisam de aquecimento mais longo. Estamos mapeando cada individualidade para criar processos que maximizem o desempenho de todos."

A questão do aquecimento parece ser particularmente crucial. "Notamos que times experientes como a G2 chegam completamente 'prontos' desde o pistol round. Nós às vezes levamos três, quatro rounds para encontrar nosso ritmo - e em mapas curtos, isso pode ser fatal."

O aspecto tático em ambientes de alta pressão

Um insight interessante que sidde compartilhou foi sobre como a complexidade tática precisa ser ajustada para jogos em arena. "Estratégias muito complicadas, com muitas variáveis, podem desmoronar sob pressão. Estamos aprendendo a simplificar certas abordagens sem perder nossa identidade de jogo."

Ele deu um exemplo concreto: "Em treinos, executamos rotates complexos com perfeição. Na arena, sob pressão, às vezes os jogadores esquecem detalhes cruciais. Precisamos encontrar o equilíbrio entre sofisticação tática e execução consistente sob stress."

Isso levou a equipe a repensar como preparam suas estratégias. "Agora testamos cada strat não apenas por sua eficácia, mas por quão resilient ela é sob condições adversas. Se uma tática funciona perfeitamente no treino mas desaba na arena, não serve para nós."

O técnico também comentou sobre a dificuldade de comunicação em ambientes barulhentos. "Em casa, você ouve cada sussurro. Na arena, às vezes os jogadores precisam gritar para se ouvirem. Desenvolver sinais não-verbais e métodos de comunicação mais eficientes tem sido parte crucial do nosso desenvolvimento."

O caminho pela frente

Quando questionado sobre quanto tempo acredita que levará para a FURia se tornar competitiva consistentemente em arenas, sidde foi realista. "Não existe fórmula mágica ou cronograma definido. Cada time tem seu processo de amadurecimento. O importante é que estamos identificando claramente nossas fraquezas e trabalhando nelas de forma sistemática."

Ele enfatizou que o progresso não será linear. "Haverá recaídas, performances abaixo do esperado. O importante é que cada experiência em arena, win or lose, contribua para nosso crescimento coletivo. Estamos construindo não apenas para o próximo evento, mas para os próximos anos."

Um aspecto que parece animar o técnico é a mentalidade dos jogadores. "Eles estão frustrados, sim, mas não desanimados. Essa derrota para a G2 gerou discussões produtivas, autoavaliações honestas. Eles querem melhorar, estão buscando ativamente formas de evoluir."

sidde finalizou essa parte da conversa com uma reflexão sobre o cenário competitivo atual. "O nível do Counter-Strike nunca esteve tão alto. Times que eram considerados underdogs há dois anos agora são potências consistentes. Nosso desafio é acelerar nossa curva de aprendizado para acompanhar essa evolução."

Com informações do: HLTV