Desempenho abaixo do esperado em Belgrado

O técnico brasileiro Sid "sidde" Macedo não escondeu sua frustração após a eliminação precoce da FURIA no FISSURE Playground 1. A equipe, que era uma das favoritas ao título, caiu para a formação portuguesa da SAW pela segunda vez no torneio, desta vez por 2-1.

"As duas equipes [FURIA e paiN] mostraram um nível de jogo inaceitável aqui", afirmou sidde em entrevista pós-jogo. "Os times que jogam nos maiores torneios não podem vir aqui e performar assim."

Problemas pós-Major

O técnico atribuiu parte da má performance ao período de descanso após o Major, onde tanto FURIA quanto paiN haviam alcançado as fases finais:

  • Falta de tempo para preparação adequada

  • Problemas logísticos com viagens

  • Perda de ritmo competitivo

"As equipes que chegaram aos playoffs do Major não tiveram o mesmo tempo para se preparar", explicou sidde. "Acredito que essas duas equipes mostraram que, sim, essa perda de ritmo afetou bastante nosso jogo."

Preparação para IEM Cologne

Apesar da decepção, o técnico vê aspectos positivos na derrota, considerando-a um alerta importante antes do IEM Cologne, que começa em apenas uma semana:

"Estou grato que nossos erros foram expostos aqui. Perceber que estamos jogando tão mal é uma coisa boa para nossa preparação para Cologne porque estamos antecipando problemas que poderíamos enfrentar lá."

Quando questionado se o curto período entre os torneios seria suficiente para corrigir os problemas, sidde mostrou confiança:

"Acredito que sim. Normalmente trabalhamos bem em pouco tempo. No passado, melhoramos muito quando tivemos períodos curtos antes de competições."

Desempenho individual

O técnico também comentou sobre a queda de performance de YEKINDAR, que havia se destacado no Major mas não repetiu o mesmo nível em Belgrado:

"YEKINDAR é um jogador que ajuda muito com a comunicação, com a estrutura do time... Quando essas coisas não estão funcionando, você não pode esperar que ele faça tudo sozinho."

A FURIA volta à ação no dia 23 de julho contra a FlyQuest no IEM Cologne 2025.

Desafios logísticos e adaptação

Além dos problemas de preparação, sidde destacou as dificuldades logísticas que afetaram o desempenho da equipe em Belgrado. "Tivemos apenas dois dias para nos adaptarmos ao fuso horário e ao ambiente", revelou. "Quando você chega de um torneio como o Major, onde tudo é perfeito, para um local com condições diferentes, isso pesa."

O técnico detalhou alguns dos obstáculos enfrentados:

  • Equipamentos com configurações diferentes das habituais

  • Problemas com a conexão de internet durante os treinos

  • Dificuldade em manter a rotina de descanso e alimentação

"São detalhes que parecem pequenos, mas quando você está no mais alto nível, cada porcento de desempenho conta", explicou sidde. "E nós perdemos vários desses porcentos por fatores externos."

Pressão das expectativas

Outro fator que pode ter contribuído para o desempenho abaixo do esperado foi o peso das expectativas. Após o bom desempenho no Major, tanto a FURIA quanto a paiN chegaram a Belgrado como favoritas.

"Quando você tem um resultado expressivo, as pessoas começam a te ver diferente", analisou sidde. "Os adversários estudam mais seu jogo, e você sente a responsabilidade de manter o nível. Isso cria uma dinâmica diferente."

O técnico admitiu que a equipe pode ter subestimado a SAW após a primeira vitória no torneio: "Eles nos surpreenderam na fase de grupos, e mesmo assim não demos a devida atenção. Foi um erro de avaliação que custou caro."

Lições para o futuro

Apesar da frustração imediata, sidde já vislumbra como a experiência em Belgrado pode ser valiosa a longo prazo. "Temos que aprender a lidar melhor com esses torneios 'menores' entre os grandes eventos", refletiu.

Ele mencionou a necessidade de desenvolver estratégias específicas para:

  • Manter a motivação em competições de menor prestígio

  • Gerenciar melhor o tempo entre torneios consecutivos

  • Criar protocolos mais eficientes para adaptação rápida

"Não adianta só brilhar nos Majors se você não consegue manter consistência durante o ano todo", ponderou sidde. "Essa é a próxima etapa do nosso desenvolvimento como equipe."

O papel da comissão técnica

Questionado sobre possíveis mudanças na abordagem da comissão técnica, sidde foi cauteloso mas admitiu que ajustes serão necessários. "Temos que repensar como usamos esses períodos entre torneios", disse.

Ele revelou que a equipe está considerando:

  • Reduzir o tempo de descanso pós-Major

  • Implementar sessões de análise mais intensivas

  • Testar novas abordagens para manter o ritmo competitivo

"Talvez tenhamos sido muito conservadores ao dar tanto tempo de folga", admitiu. "Quando você está no topo, não pode se dar ao luxo de parar completamente."

Reação da torcida e críticas

O desempenho abaixo do esperado gerou uma onda de críticas nas redes sociais, algo que sidde diz estar preparado para lidar. "A torcida da FURIA é apaixonada e exigente, e isso é bom", comentou.

No entanto, ele fez questão de defender seus jogadores: "As pessoas esquecem que somos humanos. Todo atleta tem altos e baixos. O importante é como você reage."

O técnico também respondeu às especulações sobre possíveis mudanças no elenco: "Não é momento de pensar em mudanças radicais. Temos um grupo forte que mostrou seu potencial no Major. Precisamos é aprender com essa experiência."

Com informações do: HLTV