Em 7 de agosto, a Fluxo W7M adquiriu a line-up da La Masia, trazendo um novo elenco de jogadores talentosos para o VALORANT Champions Tour 2026 - Americas Stage 2 Play-Ins. Após a derrota para a Cloud9, o in-game leader mazin conversou com a THESPIKE sobre a estreia da equipe, a aceitação do papel de azarão e a liderança de um time cheio de personalidades únicas.

Uma estreia para esquecer

No VCT Americas, todos os times do Tier 2 tiveram uma estreia para esquecer, com nenhum conseguindo garantir uma vitória em série contra um oponente do Tier 1. Para mazin, no entanto, o resultado não foi sobre a mentalidade da equipe. Em vez disso, ele apontou para os pequenos detalhes e decisões ruins que fizeram a diferença.

THESPIKE: Você acha que a Fluxo foi afetada pelo nervosismo da estreia? O que você acha que faltou na série, especialmente depois de um primeiro mapa tão forte?

mazin: "Eu diria que o fator psicológico não foi o principal, especialmente porque começamos a série vencendo. Acho que perdemos um pouco taticamente. Todos no nosso time são muito proativos e envolvidos na comunicação. Eu gosto disso, mas às vezes isso também pode se tornar um problema. Hoje, por exemplo, foi. Acabamos perdendo estrategicamente, e as coisas simplesmente não funcionaram."

Ao mesmo tempo, a Fluxo W7M entrou na série confiante de que poderia trazer a vitória para casa, tornando essa derrota ainda mais frustrante para os jogadores. Como capitão do time, mazin assume grande parte dessa responsabilidade para si.

"Para ser honesto, foi um pouco frustrante. Com todo o respeito à Cloud9, é um jogo que esperávamos vencer porque nos sentíamos muito preparados. Olhando para trás, acho que nosso plano de jogo estava um pouco estranho, e isso também é minha responsabilidade. Precisamos revisar nossas ideias, mas também cometemos muitos erros individuais."

Confiança no potencial do elenco

Apesar da derrota que marcou sua estreia no VCT Americas, mazin permanece confiante no potencial da line-up. Quando questionado sobre o que viu no jogo da Cloud9 que deu tanta confiança à equipe, o capitão foi direto.

THESPIKE: O que você viu no jogo da Cloud9 que te deu tanta confiança de que poderiam vencer?

mazin: "Honestamente, foi por causa do potencial que vejo no meu time e em tudo que trabalhamos. Tivemos que trabalhar incrivelmente duro para chegar aqui, e acredito nesse grupo. Sabemos que podemos competir em alto nível, e essa confiança não muda por causa de uma derrota."

O capitão também comentou sobre o desafio de liderar um elenco com tantas personalidades fortes. "Cada jogador tem seu próprio estilo e opiniões. Meu papel é encontrar o equilíbrio entre dar espaço para essa criatividade e manter o foco no que precisamos fazer como time. É um desafio diário, mas é o que torna esse grupo especial."

Com a derrota, a Fluxo W7M agora precisa se reorganizar rapidamente para os próximos confrontos dos Play-Ins. A equipe terá que mostrar resiliência e aprender com os erros apontados por mazin para manter viva a chance de avançar no torneio. A estreia pode não ter saído como planejado, mas a confiança do capitão no potencial do elenco sugere que essa história está longe de terminar.

O peso da responsabilidade de liderar

Liderar um time no cenário competitivo de VALORANT nunca é tarefa fácil, mas quando você assume o papel de IGL em uma equipe recém-promovida para a principal liga das Américas, a pressão ganha uma dimensão completamente nova. mazin, que já era conhecido no cenário sul-americano por sua leitura de jogo apurada, agora carrega nas costas não apenas as chamadas táticas, mas também a gestão emocional de um grupo que sonha em se firmar entre os gigantes.

E não é qualquer grupo. A line-up da Fluxo W7M reúne jogadores com estilos de jogo bem distintos — alguns mais agressivos, outros mais calculistas. Equilibrar isso dentro de uma partida oficial, com o relógio correndo e a adrenalina lá em cima, exige muito mais do que conhecimento mecânico do jogo.

"Cada jogador tem seu próprio estilo e opiniões", repetiu mazin durante a entrevista, quase como se estivesse reforçando para si mesmo a complexidade da missão. "Meu papel é encontrar o equilíbrio entre dar espaço para essa criatividade e manter o foco no que precisamos fazer como time."

Essa fala revela um aspecto interessante sobre o funcionamento interno da equipe. Diferente de muitos times que adotam uma hierarquia rígida onde o IGL tem a palavra final absoluta, a Fluxo parece operar em um modelo mais colaborativo. Isso pode ser uma faca de dois gumes — ao mesmo tempo que permite que os jogadores se sintam ouvidos e valorizados, também abre margem para ruídos de comunicação nos momentos mais críticos.

Foi exatamente isso que aconteceu contra a Cloud9. "Todos no nosso time são muito proativos e envolvidos na comunicação. Eu gosto disso, mas às vezes isso também pode se tornar um problema", admitiu o capitão, referindo-se à confusão tática que custou mapas importantes na série.

O caminho até o VCT Americas

Para entender a dimensão do que a Fluxo W7M conquistou ao chegar ao VCT Americas, é preciso olhar para trás e revisitar a trajetória que trouxe esses jogadores até aqui. A organização, que já tinha tradição no cenário de CS:GO, decidiu investir pesado no VALORANT em 2025, montando uma equipe competitiva que pudesse disputar as vagas do Ascension.

A aquisição da line-up da La Masia em agosto foi o movimento final de um planejamento que começou meses antes. A La Masia, como o nome sugere, era uma equipe formada por jovens promessas — jogadores que, em sua maioria, ainda não tinham tido a chance de brilhar em ligas de grande visibilidade. A aposta da Fluxo foi justamente essa: capturar talento bruto e moldá-lo dentro de uma estrutura profissional.

O resultado foi uma campanha sólida no Stage 2 dos Play-Ins, com vitórias convincentes contra adversários do Tier 2 que garantiram a classificação para a fase principal. Mas o salto de qualidade entre o cenário secundário e o VCT Americas é brutal — e a primeira rodada deixou isso bem claro.

Não é apenas uma questão de habilidade individual. A diferença está nos detalhes: na velocidade das rotações, na precisão dos utilitários combinados, na capacidade de ler o adversário e se adaptar em tempo real. Times como a Cloud9 vivem isso diariamente, treinando contra os melhores do mundo. Para uma equipe recém-chegada, o choque de realidade pode ser avassalador.

E ainda assim, há algo de promissor na forma como a Fluxo encarou a derrota. Não houve discurso de desculpas, nem tentativa de minimizar o resultado. mazin foi direto ao apontar os erros — e, mais importante, assumiu a responsabilidade por eles. Essa postura, embora dolorosa no momento, é exatamente o tipo de mentalidade que separa times que ficam pelo caminho daqueles que evoluem a cada série.

O que esperar dos próximos confrontos

Com o formato de eliminação dupla dos Play-Ins, a Fluxo W7M ainda tem uma segunda chance de avançar. A equipe caiu para a chave inferior e agora precisa vencer para se manter viva na disputa por uma vaga na fase principal do torneio. O caminho não fica mais fácil — os adversários que vêm da mesma situação estão igualmente desesperados por uma vitória.

O que me chama atenção, no entanto, é a clareza com que mazin enxerga o momento. Ele não está iludido com o potencial do time, mas também não se deixa abater pelo resultado negativo. "Sabemos que podemos competir em alto nível, e essa confiança não muda por causa de uma derrota", disse, com uma convicção que parece genuína.

Essa confiança, vale ressaltar, não é cega. Ela vem do trabalho — do "incrivelmente duro" que ele mencionou. E é exatamente esse tipo de mentalidade que pode fazer a diferença nos próximos jogos. A questão é se a equipe conseguirá traduzir essa confiança em execução dentro do servidor, especialmente quando a pressão aumentar ainda mais.

Os olhos da torcida brasileira estarão voltados para a Fluxo nos próximos dias. E se há uma coisa que o cenário sul-americano nos ensinou ao longo dos anos, é que nunca se deve subestimar um time que acredita no próprio potencial — mesmo quando tudo parece perdido.



Fonte: THESPIKE