Ucrânia limita participação em campeonato europeu de eSports

A Federação de eSports da Ucrânia anunciou na sexta-feira que terá participação limitada no Campeonato Europeu de Esports 2025, que também serve como classificatória para o Campeonato Mundial de Esports da IESF em 2025. A decisão ocorre em protesto contra a participação da equipe da Bielorrússia sob sua bandeira nacional.

Disciplinas afetadas pelo boicote

Em comunicado oficial no Telegram, a organização declarou que não participará das competições de:

  • Dota 2

  • Mobile Legends: Bang Bang (feminino)

  • PUBG Mobile

"Esta decisão foi tomada em conexão com o fato de que a Federação Internacional de eSports permitiu a participação da equipe nacional da Bielorrússia sob a bandeira nacional, o que contradiz a posição oficial da Federação de eSports da Ucrânia e do Ministério da Juventude e Esportes da Ucrânia", afirmou a federação.

Exceção para Counter-Strike 2

A equipe ucraniana competirá em Counter-Strike 2, já que a equipe bielorrussa não se classificou para esta modalidade. A federação destacou que tentou negociar com a IESF para que os atletas bielorrussos competissem sob status neutro, sem sucesso.

O posicionamento ucraniano reflete as tensões geopolíticas desde o início da invasão russa à Ucrânia em 2022, quando a Bielorrússia se aliou à Rússia. O presidente autoritário bielorrusso Alexander Lukashenko tem sido um forte apoiador de Vladimir Putin durante o conflito.

Enquanto isso, o Campeonato Europeu de Esports 2025 está programado para ocorrer em Pristina, Kosovo, entre 9 e 13 de julho, em parceria com a Federação de Esports do Kosovo e com apoio do governo local. Mais detalhes sobre o evento podem ser encontrados aqui.

Impacto nas equipes e atletas ucranianos

A decisão de boicote parcial afeta diretamente dezenas de atletas profissionais ucranianos que treinaram por meses para o torneio. Muitos jogadores expressaram frustração nas redes sociais, destacando como eventos esportivos deveriam permanecer neutros politicamente. "Treinamos duro para representar nosso país, mas agora temos que pagar por decisões que não tomamos", escreveu um jogador anônimo de Dota 2 em seu Telegram.

Por outro lado, alguns membros da comunidade de eSports na Ucrânia apoiam a posição da federação. "Quando você vê a bandeira da Bielorrússia, sabe que está vendo um aliado direto da Rússia", comentou Oleksandr, torcedor de eSports de Kiev. "Não podemos fingir que nada está acontecendo enquanto nosso país ainda está em guerra."

Reação da IESF e da comunidade internacional

A Federação Internacional de eSports (IESF) ainda não se pronunciou oficialmente sobre o boicote ucraniano, mas fontes próximas à organização sugerem que estão considerando alternativas para manter a integridade competitiva do evento. Historicamente, a IESF manteve uma política de inclusão de todas as nações membros, independentemente de conflitos políticos.

Alguns especialistas em esports apontam que esta situação cria um precedente preocupante. "Se começarmos a misturar política com eSports, onde traçamos a linha?", questiona Marta Kovalenko, analista de esports baseada em Varsóvia. "Praticamente todos os países têm conflitos com alguém - se cada federação começar a boicotar eventos por razões políticas, o cenário competitivo internacional pode se fragmentar completamente."

O cenário geopolítico nos eSports

Esta não é a primeira vez que tensões políticas afetam torneios de eSports. Em 2022, diversas organizações cancelaram eventos programados para a Rússia, e muitos jogadores russos competiram sob bandeiras neutras. No entanto, a inclusão contínua da Bielorrússia em competições internacionais tem sido um ponto de discórdia particular para a Ucrânia.

Curiosamente, enquanto a federação ucraniana boicota parcialmente o evento europeu, atletas individuais do país continuarão elegíveis para competir em torneios organizados por entidades privadas como a ESL e a BLAST Premier. Essa discrepância entre competições "oficiais" e "privadas" levanta questões sobre a fragmentação das regras no cenário global de eSports.

O Ministério da Juventude e Esportes da Ucrânia emitiu uma declaração apoiando a decisão da federação de eSports, afirmando que "o esporte ucraniano não pode ser cúmplice da normalização de regimes que apoiam a agressão contra nossa soberania". A declaração também mencionou que o governo está trabalhando em alternativas para apoiar os atletas afetados pelo boicote.

Com informações do: The Esports Advocate