Gabriel "FalleN" Toledo está vivendo uma montanha-russa emocional nos últimos meses de sua carreira como jogador profissional de Counter-Strike 2.

Em entrevista à Dust2 Brasil após a derrota para a Spirit na PGL Masters Bucharest, FalleN foi sincero: "Tem hora em que dá vontade de jogar mais, não vou negar, porque eu gosto muito de jogar, e tem hora em que eu não vejo a hora de não jogar mais. É uma montanha-russa danada".

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O que mais tem pesado para FalleN não é o jogo em si, mas o período após as partidas. Ele revelou que o pós-jogo se tornou uma atividade cada vez mais desgastante, algo que sempre foi seu ponto forte ao longo da carreira.

"Tem sido muito difícil para mim nos últimos meses, talvez um pouco mais de ano, lidar com os pós-jogos. É uma coisa em que sempre fui muito bom durante minha carreira, conseguir fazer uma decupagem do que aconteceu no jogo rápido, descansar tranquilo, trabalhar, continuar", explicou.

"Hoje mesmo dormi só três horas, minha cabeça não desliga mais. Estou num nível de estresse em que, com a idade, o corpo demora para digerir os químicos que ficam por causa da adrenalina, da tensão, do estresse", continuou o jogador.

Apesar do cansaço, FalleN mantém o compromisso com a equipe: "São momentos de montanha-russa, mas estou curtindo, foi o que me propus a fazer e quero terminar do jeito que comecei, dando o máximo que posso e tentando ajudar o máximo que consigo".

Análise da Série Contra a Spirit e a Evolução na Ancient

A FURIA ficou perto de vencer a Spirit na terceira rodada da PGL Masters Bucharest. A equipe brasileira viu a vitória escapar no terceiro mapa, mas FalleN gostou do que viu do time — embora tenha sido autocrítico em relação ao próprio desempenho.

"Foi um grande jogo, melhoramos bastante hoje. No primeiro mapa, sendo bem sincero, não jogamos muito bem. Tivemos algumas situações de tN1R na Nuke para fazer mais pontos ainda, ficamos só com cinco. Tivemos muitos after plants que poderíamos ter vencido e não fomos tão bem. De CT não fizemos um bom CT, comunicamos pouco, não tomamos decisão, tomamos algumas decisões erradas. Nuke foi um mapa bem diferente da Ancient e da Mirage. Na Ancient e na Mirage jogamos superbem", disse.

O jogador destacou as correções feitas na Ancient após o jogo anterior: "Fizemos algumas correções na nossa Ancient depois do jogo de ontem, foi um trabalho que fizemos depois do jogo, e isso deu resultado. Jogamos muito bem, postura do time, estratégia, jeito que jogamos. Não é à toa que vencemos, a Spirit é um grande time na Ancient".

Sobre a Mirage, FalleN lamentou as oportunidades perdidas: "A Mirage foi um jogo muito bom, poderíamos ter vencido. Em certo momento o jogo ficou muito favorável para nós, um 11 a 8, mas infelizmente precisava performar um pouquinho melhor, principalmente no round na B, em que tive duas chances de fechar o jogo e acabei não performando. Mas fiquei feliz com como jogamos hoje. O jeito que jogamos é o jeito que dá para ganhar de time grande e ser campeão. Só temos que manter e buscar nossa classificação agora no 1-2 e no 2-2".

A vitória na Ancient, um mapa historicamente ruim para a FURIA, foi um dos pontos positivos da série. "É um excelente sinal. Tínhamos algumas coisas na Ancient para arrumar, fomos numa boa direção hoje, deu um bom resultado. O time tem que ir crescendo de jogo a jogo. A nossa Ancient é alvo do momento de pick de muitos times, porque era nosso ban durante muito tempo e estamos melhorando nela", explicou.

A agenda cheia tem sido o grande assunto da FURIA nas últimas semanas. Sem um posicionamento claro da organização sobre a estratégia, parte da comunidade acredita que o time topou tudo para que FalleN fizesse sua despedida com título. Segundo o jogador, não é bem por aí.

"Na verdade, não é nem sobre eu jogar mais, esse não é o ponto. Hoje em dia todas as organizações têm uma dificuldade com o VRS, e você acaba tendo que tomar uma decisão. Pensa que o time é seu. É um time supercaro, um time que tem que se pagar, e um time que, por acaso, não performe e jogue pouco torneio vai cair no ranking e não vai jogar mais", afirmou.

FalleN explicou a lógica por trás da escolha de jogar mais torneios: "Pensa que escolhemos jogar pouquinhos torneios, porque somos bons e, quando formos, vamos nos dar bem. Jogamos dois, três torneios e fazemos pausa. Você vai lá e toma duas pimba, não chega ao playoff, daqui a pouco está fora do invite, não está jogando mais. Para a organização é complicado, porque você fica refém de ter que jogar".

O jogador revelou que o temor pela falta de eventos para jogar aconteceu no ano passado e deixou a organização em "modo safe". "Na última temporada, tivemos alguns momentos em que quase chegamos a essa situação de perder os invites, antes de começarmos a ganhar os torneios no final. Quem está planejando essas coisas provavelmente pensa 'se esse negócio der errado, vamos ficar complicados'".

Para os próximos semestres, FalleN acredita que haverá um equilíbrio maior: "Vai ter que ter um pouquinho de balança entre jogar safe e ter o descanso. Sempre fizemos isso, então está sendo um pouco atípico esse calendário, porque sempre tivemos o costume de jogar três torneios, uma pausa, nos preparar, jogar mais. Mas o calendário do CS é corrido. Se você tiver a fim de jogar tudo, fica o tempo todo jogando, e não é muito saudável".

Na reta final da carreira de FalleN, a FURIA trabalha por dois objetivos: ganhar o último Major do capitão e encontrar seu substituto. Com compromissos nas próximas duas semanas, o time deve conseguir uma pausa para se preparar para o mundial, já que vai pular direto para o Stage 3.

"(O tempo livre) vai ser muito bom e interessante para saber onde as equipes vão estar treinando. Como é em outro continente, normalmente o pessoal treina na Europa, e será que os times vão lá para jogar? Será que não vão? Tem muitas coisas que o pessoal da organização já está ajeitando para termos a melhor qualidade de treino possível. E chegar superfortes nesse Major, temos chances de competir pelo título, mas temos que ir passo a passo. O dream seria finalizar ganhando o Major. Esse é o nosso objetivo", disse.

FalleN deixou claro que não tem participado, até o momento, da escolha de seu substituto para focar nos momentos finais. "Não foi muito fácil trazer isso à tona para o time, mas é uma carreira muito grande e, pelas decisões que tomamos, acabou sendo assim. Todo mundo está lidando bem desde que isso aconteceu. Todo mundo está tentando ser o melhor profissional que pode ser, independentemente de quem vai jogar no ano que vem ou não. Estamos tentando viver o presente, trabalhando duro para fazer acontecer o que acontece agora".

"Já conversamos com alguns jogadores, principalmente a comissão. Eu não tenho participado muito disso, porque, jogando ainda, é muito difícil ter a cabeça para fazer outras coisas. Imagina eu preparando para um jogo e perdendo tempo falando com o cara que vai entrar no meu lugar. Até falei, 'sidde, eu tenho uma ideia, mas toca essas coisas mais para frente, ano que vem posso participar de mais coisas ou não'. Por enquanto estou 100% focado em tentar performar melhor. Venho fazendo isso nos últimos dois torneios, tem ajudado, e é o único caminho para conseguirmos vencer. Essas conversas, para mim, pelo menos, vão começar mais quando eu parar, ano que vem, e puder ajudar de outras maneiras. Agora estou deixando isso com a comissão, guerri e sidde, que estão cuidando de tudo disso", finalizou.

De um lado, a torcida quer ver o ídolo levantando mais um troféu; do outro, o próprio jogador sente o peso de duas décadas de dedicação.



Fonte: Dust2