O cenário competitivo de VALORANT tem uma nova lenda. Ethan "Ethan" Arnold, jogador norte-americano da NRG, entrou para a história neste domingo (5) ao se tornar o primeiro bicampeão mundial do jogo da Riot Games. A façanha inédita veio após a vitória da NRG sobre a Fnatic na grande final do VALORANT Champions Tour 2025 - Valorant Champions, repetindo o sucesso que ele já havia conquistado em 2023 com a Evil Geniuses. O que torna essa conquista ainda mais impressionante? O fato de que, em apenas duas participações no torneio mais importante do ano, ele saiu com o troféu nas mãos nas duas vezes.

Uma trajetória de eficiência absoluta

A estatística é de deixar qualquer um de queixo caído. Ethan não apenas venceu os dois Champions em que competiu, mas seu caminho até o bicampeonato foi marcado por uma consistência fora do comum em torneios de alto nível. Em 2023, além do título mundial com a EG, ele foi vice-campeão do Masters Tokyo. Em 2025, antes de erguer a taça em Los Angeles, acumulou um vice-campeonato no Stage 2 das Américas e uma participação de destaque na Esports World Cup.

É como se ele tivesse um radar para chegar nas finais dos eventos mais importantes. Enquanto muitos jogadores passam anos tentando chegar sequer a uma final de Champions, Ethan parece ter descoberto uma fórmula. Sua transição da Evil Geniuses para a NRG, após a desmontagem da lendária roster campeã, poderia ter sido um ponto de interrogação. Em vez disso, foi a confirmação de que seu talento é portátil e decisivo.

O reconhecimento dos pares e o legado em construção

O feito não passou despercebido entre os profissionais. Paddy "FNS" Daly, um dos nomes mais respeitados da cena norte-americana, foi direto ao ponto em suas redes sociais, chamando Ethan de "GOAT" (Greatest of All Time). É um elogio pesado, considerando a relativa juventude da cena de VALORANT, mas que reflete o impacto imediato de suas conquistas.

E pensar que, no início do ano, a campanha da NRG no Kickoff e no Stage 1 das Américas foi considerada apenas mediana. A equipe parecia encontrar seu ritmo justamente quando mais importava. Ethan, em particular, elevou seu jogo nos playoffs, sendo uma peça fundamental no controle de meio e nas rodadas de eco, aquelas onde a economia da equipe está no vermelho. Sua capacidade de virar rodadas aparentemente perdidas se tornou uma marca registrada nesta campanha do Champions.

O que esse bicampeonato significa para o cenário?

A conquista de Ethan coloca uma nova camada na discussão sobre legado no esporte. VALORANT, com seu meta em constante evolução e rosters que mudam rapidamente, ainda não tinha uma figura que conseguisse repetir o sucesso máximo em diferentes equipes e contextos. Ele quebrou essa barreira. Mostrou que, mais do que estar no time certo na hora certa, é possível ser o elemento certo que faz a diferença onde quer que vá.

Isso estabelece um novo parâmetro para as futuras gerações. Agora, a pergunta que fica é: alguém conseguirá alcançá-lo? Ou, quem sabe, superá-lo? Com a franquia do VCT se consolidando e as equipes buscando maior estabilidade, a janela para construir dinastias como as de outros esports pode estar se abrindo. Ethan é o primeiro a atravessá-la.

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Mas vamos falar um pouco sobre o que aconteceu dentro do servidor, porque os números contam apenas parte da história. A final contra a Fnatic foi um verdadeiro teste de nervos. Lembra daquela série que parecia perdida no mapa de Bind, quando a NRG estava com a economia destruída? Foi ali que Ethan, com um Spectre e poucas utilidades, conseguiu um 3K (três abates) que não só salvou a rodada, como parece ter quebrado o ânimo dos europeus. São momentos assim, de pura clutchness, que separam um bom jogador de um campeão. E ele tem feito isso com uma frequência assustadora.

Além do K/D: o impacto invisível nos rounds de eco

Muita gente foca no K/D (abates/mortes), e o de Ethan foi sólido, claro. Mas se você parar para analisar as demos, vai perceber que seu valor real vai muito além. Sua leitura de jogo nos rounds de pistola e de eco (quando a equipe tem pouco dinheiro) foi simplesmente didática. Enquanto outros tentam forçar duelos caros, ele optava por jogadas de controle, usando utilidades para ganhar informações e forçar erros no adversário. É um estilo de jogo menos glamouroso, mas infinitamente mais eficiente para a economia da equipe a longo prazo.

E isso me faz pensar: será que estamos vendo o surgimento de um novo tipo de "carry"? Não aquele que só aparece no placar com abates vistosos, mas o que carrega nos ombros a responsabilidade de garantir que a equipe nunca fique completamente quebrada financeiramente. Na NRG, com duelistas agressivos como ardiis e Victor, ter um jogador como Ethan, que segura a fortuna nos momentos de vacas magras, foi a chave para a consistência deles nos playoffs. É um papel que exige paciência e um ego bem controlado, diga-se de passagem.

A adaptação pós-EG e a sinergia com a NRG

Quando a Evil Geniuses foi desmontada, muitos torcedores temeram que Ethan pudesse se perder em uma nova estrutura. Afinal, aquele time tinha uma identidade muito forte, quase uma mente coletiva. Chegar a uma NRG que já tinha suas próprias estrelas e dinâmicas estabelecidas não era tarefa fácil. Como foi esse processo de integração? Pelas entrevistas, parece ter sido mais orgânico do que forçado.

Ele não tentou impor o estilo da EG. Em vez disso, observou. Ajustou seu ritmo para se encaixar nas explosões de ardiis. Aprendeu a ler os movimentos do t0rick no controle. E, aos poucos, foi inserindo suas próprias ideias, especialmente nas rotinas defensivas e nas retakes. O treinador Chet Singh mencionou em uma entrevista pós-jogo que Ethan trouxe uma "calma analítica" para os momentos de alta pressão. Algo que, na minha opinião, faltava um pouco à NRG em torneios anteriores – eles tinham o fogo, mas às vezes faltava a frieza.

E não podemos ignorar o fator maratona. O VCT 2025 foi um ano brutal em termos de calendário. Kickoff, dois Stages regionais, Masters, Esports World Cup e, por fim, o Champions. Manter um nível de elite do início de fevereiro até o início de agosto é um feito físico e mental absurdo. Ver Ethan, e a NRG como um todo, parecerem mais fortes e mais confiantes no último e mais importante evento do ciclo fala muito sobre a preparação e a resiliência mental deles. Enquanto outras equipes pareciam desgastadas, eles estavam no auge. Isso não é sorte.

O futuro: uma era de domínio ou um alvo nas costas?

Agora, com o título nas costas, Ethan e a NRG se tornam o alvo número um de todo o mundo. Todo mundo vai estudar suas demos, desmontar suas estratégias e treinar especificamente para neutralizá-los. A pressão para um tricampeonato, algo absolutamente inimaginável, já começa a pairar no ar. Como eles vão lidar com isso?

O próprio Ethan, em sua entrevista na vitória, pareceu consciente do desafio. "Agora todo mundo vai querer nossa cabeça", disse, com um sorriso no rosto. Mas havia um brilho nos olhos que sugeria que ele está pronto para a briga. A estrutura da NRG, com seus investimentos robustos em suporte psicológico e análise de dados, será crucial nessa próxima fase. Eles não podem se acomodar.

E para o cenário global, essa história serve como um alerta. A era das "superequipes" montadas apenas com estrelas individuais pode estar com os dias contados. O sucesso da NRG, e de Ethan em particular, reforça o valor da inteligência tática, da adaptabilidade e daqueles jogadores que fazem o trabalho sujo – aquilo que os comentaristas gringos chamam de "role players". Talvez o caminho para o próximo título mundial não passe por contratar o duelista com mais abates, mas por encontrar o próximo Ethan: um jogador completo, que entende o jogo em suas múltiplas camadas.

Fica a pergunta: quais outras equipes vão aprender essa lição? E quem será o primeiro a desafiar seriamente o trono que agora é indiscutivelmente deles? O off-season promete ser movimentado, com várias organizações já anunciando mudanças. Uma coisa é certa: todos vão olhar para Los Angeles e para a performance de Ethan como o novo padrão a ser batido. O que ele fez não foi apenas ganhar; foi redefinir o que significa ser um campeão no VALORANT.



Fonte: THESPIKE