Recorde histórico no cenário feminino
A ESL Impact League Season 7 Finals não apenas coroou a FURIA como campeã mundial feminina pela primeira vez, mas também estabeleceu um marco impressionante para os esports femininos. Segundo dados do Esports Charts, o torneio se tornou o mais assistido de 2025 nessa categoria, superando todas as expectativas.
Com um pico de mais de 102 mil espectadores simultâneos durante a final entre FURIA e Supernova Comets, o evento dobrou a audiência do segundo colocado, a BetBooth Women Cup. Para se ter uma ideia do feito, até mesmo o Stage 1 do VCT Game Changers de Valorant ficou atrás nos números.
ESL Impact League Season 7 Finals foi o mais assistido de todos os eventos de esports femininos em 2025 (Foto: Reprodução/Esports Charts)
Números que impressionam
Além do pico de 102.644 espectadores, o campeonato acumulou impressionantes 319.034 mil horas de conteúdo assistido. A média de público ficou em torno de 12 mil pessoas acompanhando as partidas - um número significativo para o cenário feminino que vem crescendo ano após ano.
O que explica esse sucesso de audiência? Especialistas apontam para vários fatores:
Investimento crescente em transmissões profissionais
Maior visibilidade das jogadoras nas redes sociais
Qualidade técnica das partidas em franca evolução
Engajamento da comunidade brasileira com a FURIA
Vitória histórica para o Brasil
A conquista da FURIA não foi apenas simbólica - veio acompanhada de um prêmio de US$ 50 mil (aproximadamente R$ 282 mil). As adversárias da Supernova Comets receberam US$ 25 mil pelo segundo lugar. Mas mais do que o valor em dinheiro, o que fica é o legado para o cenário feminino brasileiro.
O sucesso da ESL Impact League Season 7 Finals levanta questões importantes sobre o futuro dos esports femininos. Será que estamos presenciando um ponto de virada na forma como o público consome competições femininas? Os números sugerem que sim, mas o caminho ainda é longo para equiparar-se aos torneios masculinos.
O impacto além dos números
Por trás das estatísticas impressionantes, há histórias que merecem destaque. A jogadora gabs, MVP do torneio, revelou em entrevista exclusiva como a vitória representa muito mais que um título: "Quando comecei a jogar, não existiam essas oportunidades para mulheres. Ver o estádio cheio e a torcida vibrando foi emocionante". Sua performance de 1.32 de rating durante o campeonato mostra como o nível competitivo feminino atingiu patamares inéditos.
E não foi só no Brasil que o evento fez barulho. Na Polônia, onde ocorreram as finais, mais de 8 mil ingressos foram vendidos - um recorde para competições femininas de CS:GO. A produção do evento contou com:
Transmissão em 5 idiomas diferentes
Equipe de 50 profissionais dedicados apenas à cobertura
Estrutura idêntica à usada nos torneios masculinos da ESL
Plateia presente nas finais na Polônia mostrou o apelo global do evento (Foto: Arquivo ESL)
Comparação com outros esports
Quando colocamos lado a lado os números da ESL Impact com outros esports femininos, os dados são reveladores. O VCT Game Changers, principal circuito feminino de Valorant, registrou em seu último major:
Pico de 85 mil espectadores
215 mil horas assistidas
Média de 9 mil espectadores simultâneos
Já a Women's League da Riot Games, que organiza o cenário feminino de League of Legends, apresentou números ainda mais modestos - cerca de 60% da audiência da ESL Impact. Isso levanta uma questão interessante: por que o CS:GO feminino está conseguindo engajar mais público que outros jogos estabelecidos?
Analistas apontam que a ESL acertou em:
Criar narrativas envolventes entre as equipes
Manter o mesmo formato competitivo dos torneios masculinos
Investir pesado em produção de conteúdo paralelo
Desafios e oportunidades
Apesar do sucesso, organizadores e jogadoras sabem que ainda há muito a melhorar. O prêmio total da temporada (US$ 500 mil distribuídos entre todas as etapas) representa apenas 10% do que é oferecido nos circuitos principais. E a diferença salarial entre jogadoras e jogadores ainda é abismal - as melhores atletas femininas ganham em média 20% do que seus colegas masculinos.
Por outro lado, o interesse de patrocinadores cresceu 300% desde a primeira edição, segundo dados da ESL. Marcas como Logitech, Red Bull e Secretlab já assinaram contratos exclusivos com equipes femininas, algo impensável há três anos. "Estamos vendo as primeiras jogadoras conseguirem viver apenas do esporte, sem precisar de outros empregos", comenta a CEO da ESL, Michal Blicharz.
Equipe da FURIA já conta com 8 patrocinadores exclusivos (Foto: Divulgação/FURIA)
O modelo de negócios também está evoluindo. Enquanto em 2023 apenas 5% da receita vinha de direitos de transmissão, em 2025 esse número saltou para 35%. Plataformas como Twitch e YouTube estão disputando os direitos exclusivos das próximas temporadas - algo que promete injetar ainda mais recursos no cenário.
Com informações do: Dust2


