Peter "dupreeh" Rasmussen, lenda dinamarquesa do Counter-Strike com cinco títulos de Major em sua carreira, recentemente anunciou sua aposentadoria das competições durante o Austin Major. Em entrevista exclusiva à HLTV, o jogador falou sobre sua transição para o trabalho de analista, suas reflexões sobre identidade profissional e a liberdade de explorar novos caminhos após anos dedicados ao cenário competitivo.

Uma nova identidade além do servidor

Para dupreeh, que integrou o lendário roster da Astralis que dominou o cenário competitivo, a mudança para a análise representou mais do que uma simples transição de carreira. "É um novo desafio e estou vendo muito crescimento pessoal nisso", confessou o dinamarquês sobre seu novo papel no ecossistema do Counter-Strike.

Ele revelou que quando fez sua primeira análise em janeiro de 2025, no BLAST Bounty, ainda carregava a percepção de que não era bom em nada além de jogar. "Isso foi tão parte da minha identidade que eu precisava ver o que mais existia por aí", admitiu.

Redescobrindo o prazer no trabalho

Aos 32 anos, dupreeh enfatiza que está mantendo suas opções abertas e explorando o que funciona para esta nova fase de sua vida. "Estou tentando ver o que existe por aí que seja divertido para mim fazer", explicou à HLTV.

Sua passagem pela Falcons parece ter sido um ponto de virada importante. Essa experiência mostrou que ele precisa fazer algo que considere divertido para realmente se importar com o que faz. "Eu me importo com o que faço no desk, mas o desenvolvimento também é importante para mim", refletiu.

A liberdade de finalmente viver

Talvez a revelação mais significativa da entrevista tenha sido sobre a sensação de liberdade que dupreeh experimenta atualmente. "Na verdade, eu consigo viver um pouco agora, comparado com quando estava jogando. É bom finalmente sentir que posso fazer o que quiser", compartilhou com a HLTV pouco antes de anunciar oficialmente sua aposentadoria.

Além dessas reflexões pessoais, dupreeh também discutiu o meta atual do tier-one e seu desejo de trazer algo diferente para a mesa de análise. Sua perspectiva única, moldada por anos de experiência no mais alto nível competitivo, promete agregar profundidade às transmissões.

A entrevista completa está disponível no canal da HLTV no YouTube.

O que diferencia a análise de um jogador experiente

Dupreeh explicou que sua abordagem para a análise vai além de simplesmente quebrar as jogadas táticas. "Como alguém que esteve dentro do servidor por tanto tempo, consigo entender o que os jogadores estão pensando em momentos decisivos", revelou. Essa perspectiva interna permite que ele identifique nuances que talvez passem despercebidas até mesmo para analistas experientes.

Ele deu um exemplo específico: "Quando vejo um time perdendo rounds consecutivos, não foco apenas nas estratégias falhas. Observo a comunicação não verbal, como os jogadores se posicionam entre as rounds, esses pequenos detalhes que indicam problemas de confiança ou coesão."

E essa experiência prática faz toda a diferença? Na opinião de dupreeh, absolutamente. "Conheci a pressão de estar no palco principal, a dinâmica de diferentes composições de equipe, e como pequenos ajustes podem mudar completamente o rumo de uma partida."

Reflexões sobre o meta atual do tier-one

Quando questionado sobre o estado atual do cenário competitivo, dupreeh não hesitou em compartilhar suas observações. "O meta evoluiu significativamente desde que comecei a jogar profissionalmente", notou. "Hoje vemos muito mais flexibilidade tática e adaptação durante as partidas."

Ele destacou como a mentalidade dos jogadores também mudou. "Antes tínhamos styles de jogo muito definidos - times agressivos, times mais passivos. Agora os melhores times conseguem alternar entre diferentes abordagens conforme a situação exige."

Mas nem tudo são flores. Dupreeh expressou certa preocupação com a saturação de torneios. "Às vezes sinto que os jogadores não têm tempo suficiente para descansar e se preparar adequadamente entre os eventos. Isso pode afetar a qualidade do jogo que vemos."

Trazendo autenticidade para a transmissão

Um dos aspectos que mais empolga dupreeh em sua nova função é a oportunidade de ser genuíno. "Não quero ser apenas mais um analista repetindo o óbvio", afirmou com convicção. "Quero compartilhar insights que apenas alguém que viveu aquilo poderia ter."

Ele planeja abordar temas que muitas vezes ficam de fora das discussões tradicionais. "Coisas como a dinâmica psicológica dentro do time, como lidar com personalidades diferentes, a pressão de expectativas - esses são aspectos cruciais que influenciam o desempenho, mas raramente são discutidos profundamente."

E como ele pretende equilibrar críticas construtivas com respeito aos colegas ainda em atividade? "Sempre focarei no jogo, nunca no jogador. Há maneiras de apontar erros sem atacar pessoalmente alguém. Aprendi isso durante meus anos competindo."

Dupreeh também mencionou seu desejo de ajudar na educação da comunidade. "Muitos fãs assistem às partidas, mas não necessariamente entendem todas as camadas estratégicas envolvidas. Quero ajudar a preencher essa lacuna."

O equilíbrio entre vida pessoal e profissional

A transição para a análise trouxe benefícios inesperados para a vida pessoal de dupreeh. "Quando você compete no mais alto nível, basicamente vive e respira Counter-Strike 24 horas por dia", explicou. "Agora consigo separar melhor meu tempo e dedicar atenção a outras áreas da vida."

Ele descreveu como essa mudança impactou seu bem-estar: "Finalmente tenho tempo para hobbies, para passar com família e amigos sem aquela constante pressão de precisar treinar ou estudar demos."

Mas isso significa que ele está menos comprometido? De forma alguma. "Amo esse jogo e sempre amarei. A diferença é que agora posso expressar essa paixão de diferentes maneiras, não apenas através da competição."

Dupreeh refletiu sobre como sua perspectiva sobre sucesso evoluiu. "Antes, sucesso significava apenas vencer torneios. Agora entendo que sucesso é também sobre felicidade, sobre encontrar propósito no que você faz diariamente."

Ele admitiu que ainda está se adaptando a essa nova realidade. "Às vezes ainda acordo pensando que preciso treinar algum aspecto do meu jogo, então lembro que não sou mais jogador profissional. São hábitos de uma década que não desaparecem da noite para o dia."

Quando perguntado se sente saudades da competição ativa, dupreeh foi honesto: "Claro que sim. Nada se compara à adrenalina de estar no palco principal com milhares de fãs torcendo. Mas tudo tem seu tempo, e estou contente com esta nova fase."

Seus planos imediatos incluem desenvolver seu estilo único de análise. "Quero encontrar minha voz autêntica, contribuir com algo que realmente agregue valor às transmissões. Não quero ser apenas mais um ex-jogador no desk."

Dupreeh também expressou interesse em eventualmente trabalhar com desenvolvimento de talentos. "Adoraria compartilhar meu conhecimento com a próxima geração de jogadores, ajudar jovens talentos a evitar erros que cometi no passado."

Com informações do: HLTV