Em uma reviravolta que poucos previram, a DRX garantiu sua vaga entre os três melhores do VALORANT Champions pela primeira vez desde 2022. A vitória por 2-0 sobre a poderosa Paper Rex, na semifinal do bracket inferior, foi um verdadeiro espetáculo de estratégia e mentalidade. Após a partida, conversamos com MaKo, o líder dentro de jogo da equipe sul-coreana, que revelou os bastidores da vitória e a transformação que a equipe passou. "Quando vencemos aquele primeiro mapa, eu pensei: 'O destino está do nosso lado hoje'", disse ele, com um misto de humildade e orgulho. Mas será que foi só sorte? A conversa com MaKo mostrou que há muito mais por trás dessa conquista.

O Veto Calculado e a Mentalidade de "Nada a Perder"

A série começou com uma jogada estratégica. A Paper Rex baniu Abyss, um dos melhores mapas da DRX, numa tentativa clara de desestabilizá-los. Em vez de se abalar, a DRX mostrou que estava preparada para tudo. "Sabemos que os outros times também sabem que nosso Abyss é muito bom", explicou MaKo. "Então pensamos: vamos dividir e conquistar. Vamos cobrir todos os outros mapas em que queremos estar mais confiantes, e estamos totalmente preparados para todos os mapas no veto."

Essa abordagem meticulosa foi a base da vitória. Eles não deixaram a PRX ditar o ritmo; assumiram o controle. E, falando em controle, a mentalidade que MaKo descreve para a final contra a NRG é fascinante. Ele inverte completamente a narrativa da pressão. "Eles [a NRG] têm mais a perder do que nós. Nós somos os azarões, continuamos essa jornada sem nada a perder, então a pressão é um pouco menor do nosso lado." É uma perspectiva poderosa, não é mesmo? Transformar a expectativa de derrota em liberdade para jogar.

De Rookie a Líder: A Jornada de MaKo e a Evolução da DRX

Aqui está uma das partes mais interessantes da entrevista. MaKo fez uma comparação emocionante entre sua primeira passagem pelo Champions, em 2022, e agora. Naquela época, ele era o novato, sentindo-se distante dos veteranos da equipe – um sentimento que ele descreveu como "uma parede invisível". Hoje, como líder, sua missão é garantir que ninguém mais na equipe sinta isso.

"Porque eu já passei por isso, sei como é ser um rookie... Eu não quero que meus companheiros de equipe sintam que precisam seguir minha liderança cegamente. Eu quero que eles participem e digam a sua parte para que possamos enfrentar essa jornada como um time."

Isso vai muito além de táticas de jogo. É sobre cultura de equipe. A transformação de MaKo de um novato quieto para um capitão aberto e solidário reflete diretamente na forma como a DRX joga. Eles se tornaram um grupo mais coeso e comunicativo, e isso lhes dá uma confiança diferente nos palcos internacionais. Você consegue perceber como a maturidade emocional de um líder pode impactar o desempenho de todo um time?

O "Reset" e o Desafio Final Contra a Fnatic

Quando perguntamos a MaKo para resumir sua jornada como IGL de 2024 para 2025 em uma palavra, a resposta foi rápida e significativa: "Reset". A palavra encapsula tanto a transformação mental quanto a mudança consciente no estilo de liderança que a DRX abraçou. É como se tivessem apertado um botão e decidido reconstruir sua identidade a partir de novas bases.

E esse "reset" será colocado à prova imediatamente. Antes de pensar na final contra a NRG, a DRX tem um obstáculo familiar pela frente: a Fnatic. É uma revanche direta de uma partida anterior neste mesmo torneio, e MaKo não esconde o desejo de corrigir um erro. "Aquela última partida contra eles, nós poderíamos ter vencido, nós totalmente deveríamos ter vencido, mas baixamos a guarda e deixamos eles levarem a vitória." A convicção dele é clara – desta vez, o objetivo é virar o jogo.

O que você acha? A combinação de preparação tática meticulosa, unidade de equipe fortalecida e a mentalidade destemida de azarão será suficiente para a DRX superar a Fnatic e, quem sabe, conquistar o título? A jornada deles em Paris já é uma história de superação, mas os capítulos mais decisivos ainda estão por ser escritos.

Mas vamos mergulhar um pouco mais fundo nessa ideia de "reset". Não se trata apenas de uma palavra bonita para uma entrevista. Na prática, o que isso significou para a dinâmica interna da DRX? MaKo deu alguns vislumbres. Ele mencionou que, no passado, a comunicação durante as partidas podia ser um tanto hierárquica – as decisões vinham de cima e eram seguidas. Agora, o processo é muito mais colaborativo. "Durante os timeouts, eu faço uma pergunta aberta: 'O que vocês estão vendo? O que sentem que podemos explorar?'", ele compartilhou. "Às vezes, o Stax tem uma leitura brilhante do lado oponente, ou o Buzz percebe um padrão de utilidade que eu não tinha captado." Essa abertura para múltiplas vozes transformou a equipe em um organismo mais reativo e difícil de prever.

A Sombra de 2022 e o Peso da História

É impossível falar da DRX sem tocar em 2022. Aquele segundo lugar no Champions, perdendo para a LOUD, deixou uma cicatriz. Para muitos fãs e analistas, a DRX daquela era era a "equipe eternamente quase lá" – incrivelmente talentosa, mas sempre tropeçando no degrau final. Esse fantasma poderia ser paralisante. No entanto, a abordagem de MaKo e companhia parece ter sido a de encarar esse passado de frente, mas não se deixar definir por ele. "Nós olhamos para trás e vemos os erros, claro", ele admitiu. "Mas não como uma coisa que nos assombra. Mais como... um manual de instruções do que não fazer. Cada derrota daquele ano nos deu uma lição específica sobre pressão, sobre fechar séries, sobre manter a concentração."

E essa lição está sendo posta em prática agora. A vitória sobre a Paper Rex não foi apenas sobre rounds vencidos; foi sobre maturidade em momentos críticos. Lembra daquele clutch do MaKo no mapa 1, com a economia da equipe no limite? Em 2022, talvez a decisão fosse mais impulsiva. Agora, houve uma calma calculada, uma pausa de meio segundo para escutar o input do BuZz antes de fazer a jogada. São nuances pequenas, mas que fazem toda a diferença no nível mais alto do jogo.

O Desafio Fnatic: Mais do que uma Revanche

Agora, o foco se volta totalmente para a Fnatic. MaKo falou sobre "corrigir um erro", e isso estabelece o tom psicológico para o próximo confronto. Mas será que é só isso? Analisando friamente, a partida anterior contra a Fnatic neste Champions foi um verdadeiro cabo de guerra. A DRX começou forte, mostrou um jogo agressivo e controlado, mas então... pareceu que a confiança se transformou em uma leve arrogância. Eles subestimaram a capacidade de reação da Fnatic, uma equipe que, vamos combinar, é mestra em virar situações aparentemente perdidas.

"Baixamos a guarda", disse MaKo. Essa é uma admissão crucial. No cenário competitivo, um erro mental muitas vezes é mais grave do que um erro mecânico. Você pode treinar sua mira, mas treinar a resiliência mental é um processo contínuo e muito mais sutil. O que a DRX aprendeu com esse tropeço? Segundo MaKo, a lição foi sobre "respeito pelo fluxo do jogo". "Não importa se você está vencendo por 10-3. O jogo só acaba no round 13. Cada round é um novo jogo, e você precisa da mesma intensidade do primeiro ao último."

E a Fnatic? Eles não estarão apenas tentando repetir a dose. Eles estudaram essa nova DRX, viram a vitória sobre a PRX, e certamente ajustarão sua abordagem. O duelista Derke estará caçando picks, o IGL Boaster armando armadilhas com suas utilidades. A pergunta que fica é: a DRX, com seu novo estilo colaborativo e mentalidade resetada, consegue antecipar essas adaptações? Ou será que a experiência e a criatividade caótica da Fnatic vão prevalecer mais uma vez?

O Caminho até a NRG: Um Sonho Distante ou um Plano Concreto?

Embora MaKo tenha colocado a pressão sobre a NRG, chamando-os de favoritos, é óbvio que a DRX não está em Paris apenas para fazer número. A conversa sobre a final não é um devaneio; é um alvo. Quando perguntado sobre o que seria necessário para vencer uma equipe como a NRG, MaKo foi surpreendentemente específico. "Eles são incríveis em criar vantagens iniciais com suas utilidades e depois expandir essa vantagem de forma implacável", analisou. "Contra eles, você não pode jogar de forma reativa. Você tem que contestar o espaço desde o primeiro segundo, mesmo que seja arriscado. Você tem que forçá-los a tomar decisões que não querem tomar."

Isso soa como um plano de jogo já em gestação. É interessante notar como, mesmo com a Fnatic no caminho, a liderança da DRX já está mapeando o terreno além. Isso não é presunção; é preparação profissional. Mostra uma equipe que está pensando em múltiplos passos à frente, confiante em sua capacidade de superar os obstáculos imediatos. Mas, é claro, entre o plano e a execução há um abismo chamado Fnatic.

O que me intriga é a transformação do próprio MaKo nesse contexto. De rookie assombrado por uma parede invisível a um estrategista que discute abertamente como desestabilizar os melhores do mundo. Essa jornada pessoal é, de certa forma, o microcosmo da jornada da DRX. E se eles conseguirem manter essa clareza mental, essa união de vozes e essa fome de corrigir os erros do passado, quem pode dizer até onde vão? O destino pode estar do lado deles, mas, como a própria entrevista deixa claro, eles estão fazendo de tudo para serem dignos dele.



Fonte: THESPIKE