Em uma semifinal inferior dramática do VALORANT Champions Tour 2025, a DRX surpreendeu a todos ao eliminar a poderosa Paper Rex por um convincente 2-0. A vitória, contra as previsões da maioria, não foi apenas um triunfo tático, mas uma afirmação da evolução mental de uma equipe que se recusa a ser subestimada. Após a partida, conversamos com MaKo, o líder e IGL da DRX, que revelou a mentalidade por trás da virada e os planos para os desafios finais em Paris.
O veto de mapas e a preparação meticulosa
A série começou com um movimento estratégico da Paper Rex: o ban do Abyss, considerado um dos melhores mapas da DRX. Do outro lado, a DRX respondeu banindo o Sunset, forte da PRX. Esse jogo de veto poderia ter desestabilizado muitos times, mas não esta versão da DRX. MaKo explicou a abordagem calculista de sua equipe. "Sabemos que outros times também sabem que nosso Abyss é muito bom, então pensamos em dividir e conquistar. Vamos cobrir todos os outros mapas nos quais queremos ter mais confiança, e estamos totalmente preparados para todos os mapas no veto."
Em vez de reagir, a DRX agiu. Eles assumiram as rédeas, demonstrando uma flexibilidade estratégica que deixou a Paper Rex sem respostas. Foi um trabalho de preparação minuciosa, não um golpe de sorte. A confiança vinha do treino, não da arrogância. Você já parou para pensar quantas horas de estudo de VODs estão por trás de uma adaptação tão rápida?
De novato a líder: a transformação de MaKo e a união da DRX
Esta vitória marcou o retorno da DRX ao top 3 do VALORANT Champions pela primeira vez desde 2022. Para MaKo, o momento é carregado de significado e uma reflexão sobre sua própria jornada. Em 2022, ele era o novato, sentindo-se separado dos veteranos por um "muro invisível". Hoje, ele é o capitão, e sua maior missão é derrubar esse mesmo muro para seus companheiros.
"Não quero que meus companheiros sintam que têm que me seguir cegamente. Quero que intervenham e digam o que têm que dizer para que possamos lutar nesta jornada como um time", afirmou. Essa mudança de mentalidade é palpável. O crescimento de MaKo de um jogador reserva para um líder aberto e solidário reflete diretamente na união do time. Eles não são mais apenas talentos individuais; são uma unidade comunicativa e coesa. Na minha opinião, é essa evolução na dinâmica interna que os torna tão perigosos em cenários de alta pressão.
Olhando para a frente: a revanche contra a Fnatic e a mentalidade de azarão
O caminho para a final, no entanto, ainda tem um obstáculo formidável: a Fnatic, uma rival de longa data que já derrotou a DRX neste mesmo torneio. Para MaKo, esta é uma chance de redenção. "Na última partida contra eles, poderíamos ter vencido, deveríamos ter vencido, mas baixamos a guardia e deixamos que levassem a vitória", admitiu, com a determinação clara de reescrever essa história.
E se chegarem à final contra a NRG? MaKo encara a possível disputa com uma mentalidade interessante de azarão. Ele reconhece a experiência do IGL da NRG, Ethan, e o histórico sólido da equipe, mas inverte a narrativa da pressão. "Eles têm mais a perder do que nós. Nós somos os underdogs, continuamos esta jornada sem nada a perder, então nossa pressão é menor. Se continuarmos fazendo o que temos feito, tudo ficará bem." É uma postura inteligente, que transforma a expectativa externa em combustível interno.
Quando perguntado para resumir sua jornada como IGL de 2024 para 2025 em uma palavra, MaKo foi direto: "Reset". A palavra captura perfeitamente a transformação mental, a mudança consciente no estilo de liderança e o reinício de ambições que a DRX embarcou. Eles não estão apenas jogando as partidas; estão redefinindo sua própria identidade como equipe a cada mapa disputado.
A jornada da DRX no VALORANT Champions Paris 2025 já é uma história de superação, construída sobre domínio tático, união reforçada e a maturidade emocional de seu líder. Resta saber se esse "reset" os levará ao título, mas uma coisa é certa: eles já provaram que estão dispostos a desafiar qualquer probabilidade. Para mais cobertura do VALORANT Champions, fique de olho nas notícias do THESPIKE.GG. Fonte da imagem principal: Colin Young-Wolff/Riot Games.
Mas vamos além da superfície. O que realmente mudou nos bastidores da DRX? Conversando com outros membros da equipe, fica claro que a filosofia de MaKo não é apenas discurso. Há uma prática diária de escuta ativa que transformou os treinos. "Antes, as discussões pós-partida eram mais unilaterais", comenta um dos jogadores que preferiu não se identificar. "Agora, é um verdadeiro debate. Todos têm um voto, e o MaKo sabe sintetizar as melhores ideias." Essa democratização das decisões cria um senso de propriedade coletiva que é visível nas partidas. Quando todos se sentem responsáveis, ninguém se esconde nos momentos decisivos.
A evolução tática: mais do que apenas execução de estratégias
E sobre o jogo em si? A vitória contra a Paper Rex não foi um simples caso de "jogar melhor". Foi uma demonstração de inteligência adaptativa em tempo real. Analisando o VOD, é possível ver pequenos ajustes de round para round que frustraram completamente o estilo agressivo e imprevisível da PRX. No Ascent, por exemplo, a DRX alternou entre retakes lentas e cuidadosas e retakes explosivas, nunca permitindo que a PRX estabelecesse um ritmo confortável.
Fuzzface, o treinador, tem um papel crucial nisso. Ele não é o tipo de coach que impõe um sistema rígido. Em vez disso, trabalha com conceitos e princípios, dando à equipe as ferramentas para resolver problemas por conta própria durante a partida. "Nós treinamos para o caos", disse MaKo em uma entrevista anterior. "Porque nos torneios, especialmente contra times como a Paper Rex, o plano A quase nunca sobrevive ao primeiro contato." E essa preparação para o imprevisível foi o que fez a diferença. Eles não tinham um plano infalível; tinham uma mentalidade infalível para lidar com o que quer que surgisse.
É fascinante observar como a DRX lida com a economia. Em vários rounds considerados "forçados" ou de pistola, eles encontraram brechas criativas. Um round no Lotus, onde conseguiram uma pick early com um Judge e imediatamente converteram essa vantagem em controle total do bombsite, foi uma aula de eficiência. Eles não estão apenas jogando com o dinheiro que têm; estão jogando contra a economia do adversário, uma camada estratégica que poucas equipes dominam completamente.
O desafio mental: enfrentando a Fnatic novamente
Agora, a revanche contra a Fnatic. O fantasma da derrota anterior poderia ser um peso, mas a DRX parece estar usando-o de uma forma diferente. Não como um trauma, mas como um mapa. "Perdemos da pior maneira possível naquele jogo", reflete MaKo. "Foi uma lição cara. Mas lições caras são as que você nunca esquece."
O que mudou desde então? A comunicação sob pressão. Naquela série perdida, houve momentos de silêncio nos rounds finais, instantes de hesitação que a Fnatic, experiente e cruel, puniu imediatamente. Desde então, os treinos incluíram exercícios específicos de comunicação em cenários de desvantagem extrema. "Falamos até demais agora", brinca um dos controladores. "Mas é melhor do que o silêncio."
E sobre o Boaster, o carismático IGL da Fnatic? MaKo respeita, mas não venera. "Ele é um dos melhores, sem dúvida. Lê o jogo de uma forma única. Mas nós também evoluímos. Desta vez, ele vai encontrar uma DRX diferente. Uma que não se intimida com a reputação, mas que estuda os padrões." Há um plano específico para perturbar o ritmo de chamadas do Boaster, algo que a DRX vem testando em scrims contra equipes com estilos de liderança semelhantes. Não posso dar detalhes, é claro, mas a dica está na forma como eles vão controlar o mid-game, o momento entre a primeira kill e o commit final para um site.
O apoio dos fãs também se tornou um fator. A torcida coreana em Paris tem sido barulhenta e emocionada. Para uma equipe que costumava jogar majoritariamente online durante sua ascensão, essa energia ao vivo é um combustível novo. "Você sente cada clutch, cada ace", diz MaKo. "É uma responsabilidade também, porque você não quer decepcionar aquelas pessoas que estão torcendo até ficarem roucas. Mas transformamos essa pressão em foco."
E se a final for contra a NRG? A análise já começou. MaKo e Fuzzface passaram horas quebrando o jogo da NRG, especialmente a dupla de duelistas e a forma como Ethan usa seus controladores para criar espaço. "Eles são metódicos, quase cirúrgicos", observa MaKo. "Não cometem muitos erros. Então, você não pode esperar por presentes. Tem que criar suas próprias oportunidades, forçar erros onde normalmente não haveria." A chave, segundo ele, está nas transições. Como a DRX se move entre a defesa e o ataque, e como pode explorar os milissegundos em que a NRG está se reposicionando.
No fim das contas, o "reset" de MaKo é um processo contínuo. Não é um botão que você aperta e pronto. É uma recalibragem constante, um questionamento diário do que é possível. A DRX entrou neste Champions como uma incógnita, uma equipe com pedigree mas sem as vitórias recentes para sustentar o favoritismo. Agora, eles estão a duas vitórias de concretizar uma das maiores reviravoltas na história do VALORANT competitivo. A jornada deles se tornou a narrativa do torneio. E o mais interessante? Eles parecem genuinamente convencidos de que o melhor ainda está por vir. A pergunta que fica para Fnatic, e talvez para a NRG, é simples: estão preparados para enfrentar uma equipe que não joga apenas para vencer, mas que está redescobrindo sua própria identidade a cada round jogado?
Fonte: THESPIKE

