Um novo jogo do gênero extraction shooter, desenvolvido pela Epic Games e ambientado no universo da Disney, está supostamente em produção e com lançamento previsto para o final de 2026. A informação, que circula como um dos projetos mais ambiciosos da parceria bilionária entre as empresas, coloca o foco no que pode ser o próximo grande lançamento da desenvolvedora de Fortnite.
O que se sabe sobre o jogo de extração da Disney pela Epic Games
De acordo com um relatório da Bloomberg, o projeto ainda sem nome é um dos frutos diretos do investimento de US$ 1,5 bilhão que a Disney fez na Epic em 2024. Fontes descrevem a experiência como um jogo de tiro e extração, um gênero que ganhou popularidade com títulos como Escape from Tarkov e, mais recentemente, Arc Raiders, da Embark Studios.
Internamente, há otimismo de que o projeto possa ser um sucesso ao lançamento, mas também preocupações. Algumas avaliações internas mencionadas no relatório apontam para mecânicas de jogo consideradas pouco originais. É um desafio e tanto, não é? Criar algo novo em um gênero já estabelecido, ainda mais carregando o peso de IPs gigantes como os da Disney.
Qual o cenário por trás do desenvolvimento do shooter Disney?
O contexto para este anúncio é complexo. A Epic Games passou recentemente por uma grande rodada de demissões, com 1.000 funcionários cortados, citando uma "queda no engajamento" e gastos acima do faturamento. Além disso, a empresa anunciou o fechamento de modos como Rocket Racing e Festival.
Segundo a Bloomberg, a Disney ficou "desapontada" com o progresso em outros projetos da parceria, o que levou a uma realocação de recursos. A Epic, por sua vez, rebateu através de sua diretora sênior de comunicações, Liz Markman, dizendo que a reportagem "não reflete as ambições da colaboração com a Disney". Em um comunicado, a empresa afirmou: "Estamos construindo um novo universo de jogos e entretenimento de experiências da Disney".
E os rumores não param por aí. Há conversas no setor, como as mencionadas pelo repórter Alex Heath em um podcast, de que a Disney estaria interessada em adquirir a Epic Games completamente, esperando apenas o momento certo. Isso adiciona uma camada extra de especulação sobre o futuro dessa relação.
Que personagens e universos podemos esperar?
Aqui está uma das grandes perguntas. A Disney possui um catálogo imenso de propriedades intelectuais. A parceria com a Epic já rendeu inúmeros crossovers dentro do próprio Fortnite, desde personagens da Marvel até, mais recentemente, Buzz Lightyear e o Imperador Zurg de Toy Story.
Mas um jogo standalone é diferente. Será focado em um único universo, como Star Wars? Ou será um mistura, um super crossover onde podemos ver heróis e vilões de diferentes franquias em um cenário de extração? A Epic já deu aos jogadores ferramentas para criarem suas próprias experiências de Star Wars, o que mostra o potencial do IP na engine da empresa.
O relatório também menciona que a parceria planeja pelo menos mais dois outros jogos além deste extraction shooter, mas os detalhes são nebulosos. O segundo projeto teria recebido avaliações internas medianas, e os recursos do terceiro foram realocados para priorizar os outros. Parece que a Epic está colocando suas fichas no sucesso deste shooter para pavimentar o caminho para o que vem a seguir.
E pensar nessa possibilidade de um crossover massivo é realmente tentador. Imagine uma equipe formada por um Jedi, um super-herói da Marvel e um pirata do Caribe, tentando extrair um artefato valioso de uma instalação do Império Galáctico. O potencial para sinergias de habilidades e conflitos temáticos é enorme, mas também é um terreno minado do ponto de vista do design narrativo e do equilíbrio de jogo. Como você equilibra o sabre de luz de um Jedi com o martelo do Thor ou a pistola de Jack Sparrow? A Epic terá que navegar por essas questões com muito cuidado para não criar uma experiência caótica ou desbalanceada.
Alguns vazamentos não oficiais em fóruns especializados, que devem ser tomados com um grande grão de sal, sugerem que o jogo pode adotar uma abordagem mais focada. Em vez de um mashup completo, ele poderia se passar em um "mundo central" da Disney, como o Reino Mágico, e usar portais ou mecanismos narrativos para acessar áreas temáticas baseadas em diferentes franquias. Isso daria uma sensação de coesão, mas ainda permitiria a variedade que os fãs certamente esperam. É uma solução elegante, mas será que é a que estão adotando?
O desafio de inovar em um gênero consolidado
O gênero extraction shooter, ou looter shooter, não é exatamente novo. Ele foi praticamente definido por Escape from Tarkov, com sua brutalidade implacável e economia complexa, e depois adaptado para públicos mais amplos por jogos como Call of Duty: Warzone 2.0 com o modo DMZ. A pergunta que fica é: o que a Epic e a Disney podem trazer de novo para a mesa?
As críticas internas sobre "mecânicas pouco originais" são um sinal de alerta. Ninguém quer um "Tarkov com skin do Mickey Mouse". A chave pode estar justamente na força das propriedades intelectuais. Em minha opinião, o sucesso pode depender de como as mecânicas de extração e progressão são entrelaçadas com a narrativa e os personagens. Talvez, em vez de simplesmente coletar armas e equipamentos genéricos, os jogadores estejam em busca de relíquias mágicas, planos de vilões ou componentes tecnológicos únicos de cada universo. A extração poderia significar salvar um personagem, recuperar um artefato roubado ou escapar de um planeta antes que ele seja destruído.
E não podemos esquecer do aspecto social e cooperativo, uma área onde a Epic tem vasta experiência com o Fortnite. Um extraction shooter da Disney poderia ser menos punitivo e mais voltado para a aventura cooperativa, onde o objetivo principal não é apenas sobreviver e sair com o loot, mas completar missões narrativas épicas com amigos. Isso abriria o jogo para um público mais familiar, alinhado com a marca Disney, sem necessariamente alienar os fãs de shooters mais hardcore. Será que é por aí?
O timing e a pressão sobre a Epic Games
Lançar um jogo tão ambicioso no final de 2026 parece um cronograma agressivo, especialmente considerando o recente tumulto interno na Epic. As demissões em massa não afetam apenas os números no papel; elas impactam a moral, a cultura corporativa e a continuidade dos projetos. Perder mil funcionários significa perder conhecimento institucional, relações dentro das equipes e momentum. Reconectar os pontos e manter a visão original do projeto se torna um desafio monumental.
Além disso, o mercado de jogos live-service está mais saturado e competitivo do que nunca. A Epic não estará competindo apenas com outros extraction shooters, mas com a atenção limitada dos jogadores, que já estão divididos entre Fortnite, Valorant, Apex Legends e uma dúzia de outros títulos que demandam seu tempo diário. Para ter sucesso, este jogo da Disney não pode ser apenas "mais um". Ele precisa oferecer uma proposta de valor única e irresistível, algo que justifique os jogadores abandonarem suas rotinas de jogo estabelecidas.
A pressão financeira é palpável. O investimento de US$ 1,5 bilhão da Disney não foi um presente; foi uma expectativa de retorno. A "decepção" mencionada pela Bloomberg com o progresso em outros projetos coloca este extraction shooter no centro das atenções. Ele se tornou, de certa forma, o carro-chefe para provar o valor da parceria. Se falhar, as consequências para a relação Epic-Disney e para o futuro da própria Epic Games podem ser significativas. Por outro lado, se for um sucesso, pode redefinir completamente o que esperamos de jogos baseados em IPs de entretenimento massivo.
E então surge a grande incógnita: o metaverso. Toda a conversa sobre a parceria Epic-Disney sempre esteve envolta na ideia de construir um "universo persistente" ou um "metaverso" de experiências da Disney. Este extraction shooter será um jogo isolado, ou será a primeira peça fundamental, o "hub" de um mundo digital maior da Disney construído na Unreal Engine? A declaração da Epic sobre "construir um novo universo" sugere a segunda opção. Nesse caso, o jogo pode funcionar não apenas como uma experiência autônoma, mas como uma porta de entrada, um dos muitos "reinos" interconectados dentro de um ecossistema digital gigantesco. Essa ambição escala o projeto para um nível completamente novo de complexidade e risco.
Os próximos meses serão cruciais. Esperamos ver os primeiros vislumbres oficiais, talvez um teaser na próxima grande conferência de jogos. Cada detalhe vazado, cada vaga de emprego postada para o projeto, será analisado com lupa por fãs e pela mídia. A Epic precisa acertar na comunicação, gerenciar as expectativas astronômicas e, acima de tudo, entregar uma jogabilidade que seja tão cativante quanto o universo em que se passa. O caminho até o final de 2026 será, sem dúvida, uma das jornadas de desenvolvimento mais observadas da indústria.
Fonte: IGB BRASIL









