Em 9 de agosto de 2026, a 100 Thieves garantiu sua vaga na Esports World Cup após uma verdadeira maratona no open qualifier. Em entrevista exclusiva à Dust2 Brasil, Nicolai "device" Reedtz comparou a experiência a um "flashback" dos primeiros anos do CS:GO, quando as LANs tinham um clima completamente diferente do que vemos hoje.

O cenário era caótico, para dizer o mínimo. Com 64 times disputando presencialmente, o open qualifier da EWC 2026 trouxe uma atmosfera que misturava nostalgia e improviso. "Foi tipo um flashback. Também acho que foi um pouco estranho de alguma forma", confessou o tetracampeão de Major.

device open qualifier EWC 2026 flashback: as condições inusitadas da LAN

Se você imaginou uma estrutura impecável digna de um campeonato mundial, pode tirar o cavalo da chuva. O que device descreveu foi bem diferente do padrão que os jogadores de elite estão acostumados. "Para os times aqui que jogaram hoje os playoffs do qualifier, isso foi tipo um RMR, é muito importante. E ter, de uma certa forma, condições abaixo do ideal não é o melhor, mas temos que trabalhar com o que temos", explicou.

O que mais chamou atenção? A poluição sonora vinda de outras áreas do evento. "Foi muito divertido, mas tinha muita gritaria acontecendo, os tambores do PUBG Mobile, então nós não conseguimos ouvir nada", revelou o atirador dinamarquês. Ele ainda completou: "Foi um pouco estranho, antigamente as LANs não eram tão sérias. Também acho que todos que estavam trabalhando aqui sabiam que não eram as condições ideais, mas era o melhor que eles podiam fazer e é como as coisas são".

É curioso pensar que, em um esporte onde cada milissegundo importa, os jogadores precisaram lidar com interferências externas que iriam tirar qualquer um do sério. Mas, no fim das contas, isso faz parte do charme — ou da loucura — de um open qualifier.

A maratona da 100 Thieves e a liderança de Gizmy

Não foi fácil. A 100 Thieves precisou vencer três MD3s em um único dia para carimbar o passaporte para a EWC. Uma prova de resistência física e mental que poucos times conseguiriam superar. E, segundo device, a liderança de Jack "Gizmy" von Spreckelsen foi fundamental nesse processo.

"Quando nós ganhamos ficamos muito felizes. Um dia como esse vai ter muitos erros, mas também vai ter muitos highlights. Só estou muito feliz que conseguimos classificar, era muito importante para nós", afirmou o jogador, destacando a importância do novo IGL do time nessa jornada.

O que esperar da 100 Thieves na EWC? Com a classificação garantida, o time agora terá tempo para se preparar adequadamente e, quem sabe, mostrar um CS2 mais consistente. A vaga veio, mas a jornada está apenas começando.

Para mais detalhes sobre a entrevista completa, você pode conferir a matéria original da Dust2 Brasil.

Mas o que realmente chama a atenção nessa história é o contraste entre o que a EWC representa e o que o open qualifier ofereceu. Afinal, estamos falando de um campeonato que vai distribuir uma premiação milionária, com alguns dos maiores nomes do cenário mundial. E, ainda assim, a porta de entrada para esse universo foi uma LAN que, pelo relato de device, parecia mais um evento comunitário do que uma etapa classificatória de um mega torneio.

Essa situação me fez pensar: será que o CS2 está perdendo um pouco dessa essência? Nos últimos anos, o cenário competitivo se profissionalizou de uma forma tão intensa que os jogadores vivem em uma bolha de alto desempenho. Eles treinam em bootcamps com estrutura de ponta, jogam em palcos com isolamento acústico e têm todo o suporte possível. Quando algo foge desse padrão, como foi o caso do open qualifier da EWC, a reação é quase de choque — ou, no caso de device, de nostalgia.

O dinamarquês, que já venceu quatro Majors e é considerado um dos maiores AWPers da história, tem bagagem para comparar. Ele viveu a era de ouro do CS:GO, quando as LANs eram mais cruas, com menos produção e mais improviso. E, pelo visto, essa experiência o ajudou a lidar com o caos de forma mais leve. "Foi divertido", repetiu ele em vários momentos da entrevista, deixando claro que, apesar das condições, o espírito competitivo falou mais alto.

O impacto da classificação para o resto da temporada

Classificar para a EWC não é apenas uma questão de prestígio. É uma injeção de confiança e, claro, uma oportunidade financeira que pode mudar o planejamento de qualquer organização. Para a 100 Thieves, que vem passando por uma reformulação desde a entrada de Gizmy como IGL, essa vaga pode ser o ponto de virada que o time precisava.

Vale lembrar que a equipe norte-americana não vive seu melhor momento nos campeonatos oficiais. Os resultados recentes foram inconsistentes, e a pressão por uma boa campanha em um evento internacional era enorme. Agora, com a classificação garantida, o time ganha um respiro para ajustar os detalhes e chegar mais preparado para a fase principal da EWC.

E não é só a 100 Thieves que sai ganhando. O open qualifier, apesar das condições adversas, cumpriu seu papel de dar oportunidades para times menores e revelar novos talentos. É claro que a estrutura poderia ser melhor, mas, como o próprio device apontou, "temos que trabalhar com o que temos". Essa frase, inclusive, resume bem o espírito do CS competitivo: adaptação é a chave para o sucesso.

Outro ponto que merece destaque é a resiliência dos jogadores. Imagina só: você acorda cedo, joga três séries MD3 seguidas, com barulho de tambores e gritaria ao fundo, e ainda assim precisa manter o foco total para não cometer erros bobos. É um teste de paciência e concentração que poucos profissionais conseguiriam passar. A 100 Thieves passou, e isso diz muito sobre a maturidade do elenco.

Claro que nem tudo são flores. A falta de condições ideais pode ter prejudicado o desempenho de alguns times que não estavam acostumados com esse tipo de ambiente. Times menores, que não têm a mesma estrutura de treinamento, podem ter sido mais afetados pelo caos. Mas, no fim, o que vale é o resultado — e a vaga está garantida.

O que me deixa curioso é como a 100 Thieves vai se sair na EWC. Será que essa experiência no qualifier, com toda a bagunça e imprevisibilidade, vai servir como um aquecimento para o que vem pela frente? Ou será que o time vai sentir falta da estrutura de alto nível quando estiver jogando no palco principal? São perguntas que só o tempo vai responder.

Enquanto isso, a comunidade segue dividida. Alguns torcedores elogiam a iniciativa da EWC de abrir vagas para qualificatórias abertas, enquanto outros criticam a falta de infraestrutura. É um debate válido, mas que não diminui o mérito da 100 Thieves. Afinal, vencer três MD3s em um dia, em qualquer condição, é uma façanha e tanto.

E você, o que acha dessa polêmica? Acha que os open qualifiers deveriam ter mais estrutura ou faz parte do charme do cenário competitivo? Deixa sua opinião aí nos comentários — ou, se preferir, continue acompanhando as próximas notícias para ver como essa história vai se desenrolar.



Fonte: Dust2