O pioneiro húngaro no cenário global
Antes de torzsi ou sl3nd, foi DeadFox quem colocou a Hungria no mapa do CS:GO mundial. Bence "DeadFox" Böröcz pode não ter uma vitrine cheia de troféus, mas seu lugar na história do jogo está garantido como o primeiro jogador húngaro a se classificar para um Major e chegar às fases eliminatórias em torneios de elite.
Os altos e baixos na HellRaisers
DeadFox começou sua jornada profissional nas equipes locais da Hungria, como Ancients e WiLD, antes de receber sua grande chance internacional com a HellRaisers em 2016. "Há essa palavra: burnout. Foi basicamente o que aconteceu comigo", revela o jogador sobre seus últimos anos na organização.
Uma das decisões que mais lamenta foi abandonar a função de AWPer. "Não sei o que passava pela minha cabeça", admite. "Todos estavam emocionalmente abalados, e eu só queria que algo acontecesse."
Primeiro húngaro a competir em um Major (ELEAGUE 2017)
Chegou às playoffs no FACEIT London Major 2018
Rating caiu de 1.06 para 0.87 após troca de função
A transição para o VALORANT e além
Após deixar a HellRaisers, DeadFox encontrou nova motivação no VALORANT, onde reuniu-se brevemente com ex-companheiros como ANGE1 e Johnta. No entanto, projetos húngaros mostraram os mesmos problemas crônicos: "Se algo não funciona, as pessoas imediatamente começam a se culpar."
Sem perspectivas competitivas, ele explorou outras carreiras - desde administração de sistemas até o negócio familiar de gestão de propriedades - antes de encontrar seu caminho como criador de conteúdo.
Desafios mentais e lições aprendidas
DeadFox fala abertamente sobre suas lutas contra a depressão: "Dois anos atrás tive outro momento em que senti que havia tocado o fundo do poço." Ele enfatiza a importância de buscar ajuda: "Você não deve estressar com coisas que não controla - esse foi um erro que cometi frequentemente."
Hoje, como streamer, ele encontrou um novo propósito: "Felizmente, amo transmitir uma grande variedade de jogos, e espero que continue assim." Embora tenha considerado um retorno como técnico no CS2, DeadFox deixa um conselho claro para aspirantes a profissionais: "Não persiga esse sonho cegamente. Você terá que sacrificar muitas coisas."
O legado e a influência na cena húngara
Embora sua carreira no topo tenha sido relativamente curta, DeadFox deixou um impacto duradouro na cena competitiva húngara. Muitos dos jogadores que hoje representam o país em torneios internacionais citam DeadFox como inspiração. "Ele mostrou que era possível", comenta um jovem profissional que preferiu não se identificar. "Antes dele, a Hungria era vista apenas como um mercado secundário para o CS:GO."
Curiosamente, sua abordagem analítica do jogo - que às vezes era criticada como excessivamente cerebral durante sua carreira - tornou-se cada vez mais valorizada com o tempo. "Eu sempre via o CS como um xadrez em primeira pessoa", reflete DeadFox. "Talvez tenha sido essa mentalidade que me permitiu sobreviver em times com tantas personalidades fortes."
Adaptando-se à vida pós-competição
A transição para a vida fora dos palcos principais não foi fácil. "Nos primeiros meses, eu ainda acordava pensando em treinos e estratégias", conta. "Depois de tanto tempo vivendo em hotéis e aeroportos, voltar para uma rotina normal parecia estranho."
Sua experiência como streamer começou quase por acidente. "Um amigo sugeriu que eu tentasse, já que sempre fui o 'professor' do time, explicando tudo nos mínimos detalhes." Essa característica acabou se tornando sua marca registrada nas transmissões, onde frequentemente pausa jogos para analisar situações táticas.
Média de 500-800 espectadores por transmissão
Foco em jogos táticos como VALORANT e CS2
Transmissões educativas com análise detalhada de jogadas
Reflexões sobre a evolução do cenário competitivo
DeadFox observa com interesse as mudanças no cenário de esports desde sua época no auge. "Hoje há muito mais estrutura, mas também muito mais pressão", analisa. "Nós éramos meio que amadores tentando parecer profissionais. Agora são profissionais tentando não parecer robôs."
Ele expressa preocupação com a saúde mental dos jogadores atuais. "Vejo muitos jovens entrando nisso sem entender o que estão abrindo mão. Quando eu comecei, pelo menos não havia essa expectativa de estar 'sempre online' para os fãs."
Questionado sobre o que mudaria se pudesse voltar no tempo, DeadFox hesita antes de responder: "Provavelmente teria investido mais em construir minha marca pessoal desde o início. Na época, achávamos que só o desempenho no jogo importava. Mas o esporte mudou, e os jogadores precisam se adaptar."
Com informações do: HLTV


