Da era Street Fighter a Resident Evil: as franquias que definiram a Capcom
A Capcom se estabeleceu como uma das desenvolvedoras mais influentes da indústria dos games, com franquias que moldaram gerações de jogadores. Desde os fliperamas dos anos 80 até os títulos AAA atuais, a empresa japonesa criou alguns dos personagens e mundos mais memoráveis dos videogames.
O legado da Capcom nos arcades
Quem frequentou fliperamas nos anos 80 e 90 certamente se lembra do impacto de jogos como Street Fighter II. O título não apenas popularizou o gênero de luta, mas estabeleceu padrões que seriam seguidos por décadas. Ryu e Ken se tornaram ícones pop, transcendendo os games.
Mas a Capcom já vinha construindo sua reputação antes disso, com títulos como:
Ghosts'n Goblins (1985) - Um dos jogos mais desafiadores da época
Mega Man (1987) - Que introduziu o conceito de adquirir habilidades de chefes
Final Fight (1989) - Um dos pais dos beat 'em ups
A revolução do survival horror
Nos anos 90, a Capcom surpreendeu novamente ao praticamente criar um gênero inteiro com Resident Evil (1996). O jogo definiu o survival horror com sua atmosfera tensa, recursos limitados e zumbis que assustaram uma geração.
O sucesso foi tão grande que gerou:
Uma das franquias mais lucrativas da empresa
Diversos spin-offs e reinvenções
Adaptações para cinema que se tornaram as franquias de filmes baseados em games mais bem-sucedidas
Curiosamente, o jogo que originou Resident Evil começou como uma recriação do Sweet Home (1989) da própria Capcom - um RPG de terror pouco conhecido no ocidente.
Inovação constante
O que torna a Capcom especial não é apenas seu catálogo de sucessos, mas sua capacidade de reinventar franquias. Devil May Cry (2001) começou como um protótipo de Resident Evil 4 antes de se tornar sua própria série aclamada.
Mais recentemente, a empresa demonstrou que ainda sabe surpreender:
Monster Hunter: World (2018) trouxe a série nichada para o mainstream
Resident Evil 7 (2017) revitalizou a franquia com perspectiva em primeira pessoa
Street Fighter 6 (2023) mostrou que até os clássicos podem evoluir
O impacto cultural além dos jogos
A influência da Capcom vai muito além dos controles e telas. Seus personagens se tornaram parte do imaginário coletivo, aparecendo em tudo, desde camisetas até memes da internet. Quem nunca viu o Hadouken sendo imitado em pátios de escola ou festas?
Alguns momentos marcantes dessa penetração cultural incluem:
A aparição de Street Fighter II em filmes como Wreck-It Ralph, mostrando como Ryu e companhia viraram símbolos dos games
A trilha sonora de Mega Man 2 sendo tocada por orquestras ao redor do mundo
O design dos Tyrants de Resident Evil inspirando criaturas em outras mídias de terror
Experimentos e riscos criativos
O que muitos não sabem é que por trás dos sucessos consagrados, a Capcom sempre manteve um espírito experimental. Algumas de suas apostas mais ousadas renderam cult following, mesmo sem alcançar o sucesso comercial esperado.
Casos interessantes incluem:
Okami (2006) - Um jogo que praticamente pintava a tela com seu estilo artístico único
Viewtiful Joe (2003) - Que misturava estética de quadrinhos com gameplay inovador
Asura's Wrath (2012) - Uma experiência cinematográfica que desafiava a definição de videogame
Embora nem todos tenham sido sucessos imediatos, esses títulos mostram a coragem criativa da empresa - uma qualidade que parece estar voltando com força nos últimos anos.
A evolução técnica
Observar a trajetória da Capcom é também acompanhar a evolução tecnológica dos games. Dos sprites pixelados do primeiro Street Fighter aos gráficos hiper-realistas do RE Engine, a empresa sempre esteve na vanguarda técnica.
Alguns marcos importantes:
A transição para 3D com Resident Evil (1996), usando ângulos de câmera fixos para criar tensão
O uso pioneiro de motion capture em Onimusha: Warlords (2001), com o ator Takeshi Kaneshiro
O desenvolvimento do RE Engine, que permitiu gráficos impressionantes mesmo em hardware modesto
E o que dizer da dublagem icônica de "Jill sandwich" em Resident Evil? Até os erros acabaram se tornando parte do charme da empresa.
Colaborações e crossovers
A Capcom nunca teve medo de misturar seus universos, criando experiências únicas para os fãs. Quem poderia imaginar que um dia veríamos Dante enfrentando o Demônio de Fogo de Ghosts'n Goblins?
Alguns dos crossovers mais memoráveis:
Marvel vs. Capcom (1996) - Onde Ryu podia enfrentar o Homem-Aranha
Project X Zone (2012) - Com personagens da Capcom, Sega e Bandai Namco
Monster Hunter recebendo armaduras de The Witcher e Horizon Zero Dawn
Essas colaborações mostram como a empresa entende o valor de seus personagens além dos jogos originais - e o quanto os fãs adoram essas surpresas.
O futuro da Capcom
Com um histórico tão rico, a pergunta que fica é: para onde vai a Capcom agora? Os últimos anos mostraram uma empresa disposta a ouvir os fãs enquanto mantém sua identidade.
Alguns sinais promissores:
O sucesso de Resident Evil Village (2021), que equilibrou inovação e nostalgia
O renascimento de franquias clássicas como Ghosts'n Goblins Resurrection (2021)
Rumores sobre novos projetos ambiciosos no RE Engine
E com a indústria mudando rapidamente - assinaturas, cloud gaming, realidade virtual - será fascinante ver como a Capcom vai se adaptar sem perder sua essência. Afinal, quantas empresas podem dizer que moldaram os games por quatro décadas consecutivas?
Com informações do: Terra


