Dívida salarial se prolonga no Corinthians Esports

O cenário não é nada animador para os jogadores e staff dos elencos misto e inclusivo de VALORANT do Corinthians Esports. Segundo informações apuradas pelo THESPIKE Brasil, a organização ultrapassou a marca de três meses de atraso nos pagamentos, descumprindo a promessa de regularizar a situação até o final de maio.

O que mais chama atenção é que os contratos seguem o mesmo modelo do futebol corintiano: 50% em contrato de serviço (CLT) e 50% em direitos de imagem. A organização se compromete a pagar entre os dias 5 e 20 do mês seguinte ao trabalhado, mas essa rotina não vem sendo cumprida.

Promessas não cumpridas

Em entrevista ao Meu Timão no início de julho, o presidente Milson Januário admitiu atrasos, mas garantiu que nenhuma dívida ultrapassava 60 dias. No entanto, jogadores relatam que os pagamentos de abril e maio sequer foram realizados, apesar da promessa de quitação até 31 de maio.

Alguns membros dos elencos receberam a informação de que os pagamentos seriam realizados entre 23 de julho e início de agosto. Mas depois de tantas promessas não cumpridas, a credibilidade desses prazos fica cada vez mais questionável.

Desempenho em meio à crise

Curiosamente, os times seguem competindo com relativo sucesso:

  • Elenco misto: 3ª colocação no VCL 2025 - Brazil: Split 1

  • Elenco inclusivo: 4º lugar no VALORANT Champions Tour 2025 - Game Changers Brazil Stage 1 e 2

Os jogadores merecem reconhecimento por manterem o foco profissional diante dessa situação. Afinal, como conciliar alto desempenho competitivo com incertezas financeiras?

O THESPIKE Brasil tentou contato com o Corinthians Esports, mas não obteve resposta até o momento. Se houver atualizações, traremos aqui.

Impacto psicológico e profissional

A situação vai além dos números na conta bancária. Fontes próximas aos jogadores revelam que o atraso salarial está afetando diretamente o desempenho e o clima dentro das equipes. "É difícil se concentrar totalmente nos treinos quando você não sabe se vai conseguir pagar o aluguel no próximo mês", confessou um dos atletas sob condição de anonimato.

O problema se agrava pelo fato de que muitos jogadores deixaram empregos estáveis ou oportunidades em outras organizações para ingressar no Corinthians Esports, atraídos pelo peso da marca. Agora, se veem presos em um contrato que não está sendo cumprido, mas com medo de falar abertamente sobre o assunto.

O contraste com outras áreas do clube

Enquanto o departamento de esports enfrenta essa crise, o futebol profissional do Corinthians segue com seus compromissos financeiros em dia. Isso levanta questionamentos sobre a prioridade dada ao cenário eletrônico dentro da estrutura do clube.

Vale lembrar que o Corinthians foi uma das primeiras grandes organizações esportivas brasileiras a investir em VALORANT, em 2021, sendo considerado pioneiro nesse movimento. Mas quatro anos depois, a falta de profissionalismo no tratamento com os atletas de esports contrasta fortemente com o discurso inovador.

Possíveis consequências legais

Especialistas em direito esportivo consultados pelo THESPIKE Brasil alertam que os jogadores têm várias opções para buscar seus direitos:

  • Abertura de reclamação trabalhista para cobrança dos salários atrasados

  • Rescisão indireta do contrato por descumprimento da contraparte

  • Ação judicial por danos morais devido ao constrangimento público

No entanto, muitos relutam em tomar medidas mais drásticas, seja por lealdade à marca, seja pelo receio de queimar pontes no ainda pequeno mercado de esports brasileiro. "É um dilema comum no cenário: reclamar publicamente pode significar ficar marcado como 'problemático'", explica um agente de jogadores que preferiu não se identificar.

Reação da comunidade

Nas redes sociais, torcedores e espectadores começam a pressionar a diretoria do clube. Hashtags como #CorinthiansPagueSeusJogadores e #EsportsNãoÉBrincadeira ganharam força no Twitter nos últimos dias.

Alguns comparam a situação atual com a crise financeira que o clube enfrentou no futebol em 2007, quando chegou a ser rebaixado para a Série B. "O Corinthians está repetindo no esports os mesmos erros que quase destruíram o clube no passado", comentou um influenciador de esports em seu canal no YouTube.

Enquanto isso, rumores indicam que pelo menos três organizações estrangeiras estariam de olho nos talentos do elenco misto do Corinthians, preparando possíveis ofertas caso a situação não se resolva. Será que o clube vai conseguir reter seus melhores jogadores diante dessa instabilidade?

Com informações do: THESPIKE