Vexa: a nova organização de CS2 com foco em jovens talentos

Minas Gerais acaba de ganhar uma nova organização de Counter-Strike 2 com um propósito claro: descobrir e desenvolver a próxima geração de talentos do jogo. A Vexa nasce da parceria entre o streamer Guilherme Vilaça e Fellipe Araújo, dono da GOAT Gaming Center, uma lan house localizada em Belo Horizonte.

O elenco já está definido e traz jogadores com passagem por algumas das principais academias do cenário brasileiro, como FURIA Academy, Sharks Academy, paiN Academy e Galorys Academy. A formação inclui:

  • Matheus "prisma" de Oliveira

  • Luiz "souz4h" de Souza

  • Victor "hug1" Hugo

  • Antony "KLR" Hagi

  • Joaquim "ryuzen" Ferreira

Comandando o time está o treinador Luccas "elkay" Cavalcante, que terá o desafio de transformar esse grupo promissor em uma equipe competitiva.

Mais que um time: um ecossistema completo

Fellipe Araújo explica que a ideia da Vexa vai além de simplesmente montar um time de esports. "Desde quando criamos a GOAT Gaming Center, nosso objetivo era criar um ecossistema com Lan House, geração de conteúdo e time de esports", revela em entrevista ao Dust2 Brasil.

A infraestrutura da GOAT será fundamental para o desenvolvimento dos jogadores. Entre 21 de agosto e 3 de setembro, o time fará um bootcamp na lan house, aproveitando toda a estrutura física disponível. Enquanto isso, Vilaça ficará responsável pela produção de conteúdo, incluindo vlogs, transmissões de jogos e acompanhamento do dia a dia da equipe.

Desafios e objetivos no cenário atual

O momento do Counter-Strike brasileiro não é dos mais fáceis. Diversas organizações deixaram o mercado recentemente, mas isso não assustou os idealizadores da Vexa. Araújo acredita que com planejamento e expectativas realistas é possível não apenas se manter, mas crescer no cenário.

"Nossa meta no curto prazo não é chegar ao Major, mas sim consolidar uma lineup capaz de disputar os principais campeonatos no Brasil", explica. O foco imediato está na Série B da Gamers Club e no open qualifier do CCT SA Season 3 Series 4, competições que servirão como termômetro para o potencial do time.

O que diferencia a Vexa de outras organizações? A resposta parece estar na combinação entre estrutura física, produção de conteúdo e um modelo de desenvolvimento focado em paciência e crescimento gradual. "Entendemos que todos os jogadores têm potencial relevante e precisamos desafiá-los", complementa Araújo.

O modelo de negócios inovador por trás da Vexa

O que chama atenção na Vexa é seu modelo híbrido que combina várias frentes de atuação. Enquanto muitas organizações dependem exclusivamente de patrocínios ou resultados competitivos, a Vexa tem uma abordagem mais diversificada. A GOAT Gaming Center funciona como um hub físico que gera receita própria, enquanto o conteúdo produzido por Vilaça ajuda a construir uma base de fãs e atrair potenciais parceiros.

"Estamos conversando com algumas marcas locais que nunca patrocinaram esports antes", revela Araújo. "A vantagem é que podemos oferecer não apenas visibilidade digital, mas também presença física em um ponto estratégico de Belo Horizonte." Essa sinergia entre o online e offline pode ser justamente o diferencial que permite à organização se manter sustentável nos primeiros anos.

O papel das lan houses no cenário atual de CS2

Num momento em que muitos jogam de casa com conexões de alta velocidade, pode parecer anacrônico falar em lan houses. Mas a realidade do esports brasileiro mostra que esses espaços continuam sendo berços de talentos. "Muitos dos melhores jogadores do país começaram em lan houses", lembra Vilaça. "É onde a paixão pelo jogo se transforma em competição, onde os jovens têm seu primeiro contato com torneios locais."

A GOAT Gaming Center não é uma lan house comum. Com equipamentos de alto desempenho e ambiente projetado para treinos sérios, o espaço pretende ser uma ponte entre o amadorismo e o profissionalismo. "Temos periféricos de qualidade, cadeiras ergonômicas e uma rede dedicada apenas para o time durante os bootcamps", detalha Araújo.

Os planos para desenvolver talentos mineiros

Minas Gerais tem uma tradição forte no Counter-Strike brasileiro, mas nos últimos anos viu muitos de seus talentos migrarem para organizações de outros estados. A Vexa quer mudar essa dinâmica. "Queremos criar um caminho claro para que os jogadores de Minas não precisem sair do estado para ter oportunidades", explica o treinador elkay.

O plano inclui não apenas o time principal, mas também um programa de desenvolvimento para jogadores mais jovens. "Já estamos de olho em alguns garotos que se destacam nos servidores da lan house", conta Vilaça. "A ideia é que a Vexa possa ser a primeira experiência semi-profissional para esses talentos."

O scouting será feito de forma orgânica, aproveitando o fluxo natural de jogadores na GOAT Gaming Center. "Diferente de uma organização tradicional que precisa caçar talentos online, nós temos eles literalmente entrando pela nossa porta todos os dias", brinca Araújo.

Os desafios técnicos e táticos do novo time

O treinador elkay não esconde que há trabalho pela frente. "Estamos montando um estilo de jogo que aproveite as características individuais de cada jogador", explica. "Temos um AWPer agressivo no prisma, um entry fragger consistente no souz4h, e o hug1 traz uma versatilidade interessante."

O primeiro bootcamp será crucial para estabelecer a identidade do time. "Precisamos criar sinergia rapidamente porque as competições estão logo ali", diz elkay. "Mas ao mesmo tempo, não queremos apressar um processo que naturalmente leva tempo."

Um dos focos iniciais será o trabalho de comunicação e tomada de decisão em conjunto. "Em CS2, a diferença entre um time bom e um time excelente está muitas vezes na capacidade de ler o jogo e se adaptar", analisa o treinador. "Estamos implementando sistemas que permitam aos jogadores tomarem decisões inteligentes em tempo real."

Com informações do: Dust2