A abertura do VCT Pacific 2026 Stage 1 foi marcada por uma reviravolta. O Paper Rex, após perder o primeiro mapa, conseguiu uma vitória por 2-1 contra a campeã do Masters Santiago, a Nongshim RedForce. Em uma entrevista pós-jogo, o jogador d4v41, da posição de sentinela, revelou que a chave para a vitória foi uma combinação de confiança inabalável e, simplesmente, cometer menos erros do que o adversário. A mentalidade da equipe, forjada nas difíceis campanhas do início da temporada, parece ser um diferencial crucial.
Mente Fria Após um Início Turbulento
Perder o primeiro mapa, Fracture, por 15-13 poderia ter abalado qualquer time. Mas para o PRX, foi apenas um contratempo. "Estávamos bastante confiantes no Fracture, poderíamos ter vencido aquele mapa, mas nós erramos um pouco", admitiu d4v41. O que impressiona é o que veio depois: "Não ficamos realmente incomodados e tentamos focar no Split e no Lotus depois para tentar vencer a série. No geral, acho que eles jogaram bem, e acho que cometemos menos erros do que eles." Essa frieza para analisar a derrota e seguir em frente fala muito sobre a maturidade competitiva que a equipe vem desenvolvendo.
E por falar em Fracture, o mapa, que foi reintroduzido recentemente no pool competitivo e é uma raridade nos servidores do VCT, é um velho conhecido do PRX. D4v41 foi categórico: "No passado, éramos uma das boas equipes no Fracture. Estamos muito confortáveis. Foi só uma pequena revisão—alguns VODs antigos, de como jogamos Fracture, e então uma execução a seco. É um dos nossos favoritos." A derrota, portanto, não foi por falta de conhecimento, mas por detalhes de execução. E isso, para uma equipe em alto nível, é algo corrigível.
Escolhas Táticas e a Evolução do Meta
A partida também serviu como um interessante estudo de caso sobre as escolhas de agentes. Enquanto d4v41 optou pela Killjoy, seu oponente direto, Ivy da Nongshim, escolheu Cypher. D4v41 explicou a dinâmica: "Quando se trata do Cypher, é complicado no lado do ataque porque você tem que adivinhar onde ele está colocando sua câmera... Mas a KJ se beneficia mais no lado defensivo. KJ é mais forte na defesa; Cypher é mais forte no ataque." Sua opinião sobre o atual estado do Cypher, no entanto, foi bem direta. "Especialmente com a armadilha (trip) agora, acho que é meio inútil. Talvez se eles revertessem a armadilha, eu consideraria, mas por enquanto, não sou um grande fã do Cypher atual."
Outro destaque foi a estreia do something com a Neon no mapa Lotus. D4v41 contextualizou a escolha dentro do que ele chama de "meta explosiva" atual. "Por causa do meta atual, a Neon está bastante OP. É meio que um meta explosivo agora—você vai como time, você isola o tiro como Neon, e o segundo ou terceiro jogador troca pela kill, como a Nongshim está retratando no servidor." Ele elogiou a performance de something e acredita que ele pode evoluir para rivalizar com Dambi, considerado o padrão-ouro da agente.
Mas o que está moldando esse meta? A conversa com d4v41 apontou para duas mudanças fundamentais. Primeiro, o nerf no Yoru, especificamente na duração do teleporte, que something previu ainda no Masters Santiago. "Antes, você tinha que ficar adivinhando onde o Yoru estava porque ele poderia estar à esquerda ou à direita devido à duração do TP. Agora você só espera 15 a 20 segundos para o TP expirar e escolhe um lado." Isso, segundo ele, prejudica muito a execução em mapas grandes como o Breeze.
Em segundo lugar, e talvez mais importante, está a questão dos iniciadores. D4v41 ecoou uma crítica que tem sido feita por outros profissionais, como o GE Frost: o tempo de recarga de 60 segundos para as utilidades dos iniciadores é a raiz do problema. "Se eles não mudarem o timer da utilidade do iniciador, vai continuar assim por um tempo. Nada vai mudar muito até que eles redefinam a utilidade do iniciador, talvez um timer menor." É uma visão que sugere que as mudanças no meta vão além de nerfs ou buffs em agentes específicos, tocando em mecânicas mais profundas do jogo.
O Caminho à Frente no "Grupo da Morte"
Com a vitória, o PRX se estabelece em um grupo extremamente desafiador, ao lado de Gen.G, DRX, Team Secret, Nongshim RedForce e Global Esports. Muitos já o chamam de "grupo da morte". No entanto, d4v41 demonstra uma postura focada internamente. "Mesmo vindo do Kickoff e Santiago, antes de nos classificarmos para Santiago, lutamos para vencer qualquer um. Grupo da morte ou não, vamos apenas focar em nós mesmos, vencer jogo a jogo, e tentar não estragar a vaga desta vez."
É uma filosofia que faz sentido para uma equipe que já passou por perrengues este ano. A ambição é clara: se classificar para o Masters Londres o mais rápido possível e deixar o drama para os outros. O primeiro passo, contra a atual campeã de um torneio internacional, já foi dado com precisão. A jornada no VCT Pacific 2026 promete.
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E essa mentalidade de "foco interno" que d4v41 mencionou? Ela não surgiu do nada. Após os altos e baixos do início do ano, a equipe parece ter feito uma espécie de reset. Conversas com a staff, análise fria dos próprios erros—não apenas os técnicos, mas os mentais. "Às vezes você perde não porque o outro time é melhor naquele dia, mas porque você se entrega antes do jogo acabar", refletiu o sentinela em outro momento. É uma lição que muitos times aprendem da maneira mais difícil.
O Peso da Experiência e a Pressão do "Deve Vencer"
Ser um dos favoritos do VCT Pacific traz uma carga extra. Todo mundo espera que você vença, e quando você é o Paper Rex, com todo aquele histórico de jogadas agressivas e imprevisíveis, a expectativa é ainda maior. D4v41 falou sobre isso de forma bastante franca. "Depois de Santiago, todo mundo nos vê como o time a ser batido. É estranho, porque no Kickoff a gente era o underdog. Agora a pressão é diferente. Mas acho que estamos aprendendo a lidar."
E como essa pressão se manifesta durante uma série apertada como a contra a Nongshim? Para ele, está nos detalhes. Na comunicação, que precisa permanecer clara mesmo quando as coisas apertam. Na paciência para não forçar jogadas arriscadas quando um round simples e limpo resolveria. "A Nongshim é ótima em capitalizar em erros de impaciência. Eles deixam você se enforcar. Tivemos que ser muito disciplinados."
Falando em disciplina, algo que chamou a atenção foi a economia de utilidades do PRX, especialmente nos rounds decisivos do Lotus. Enquanto outros times podem gastar tudo em um push, o PRX parecia guardar flashes e smokes para retakes ou situações de pós-plant. É uma maturidade estratégica que nem sempre foi a marca registrada deles. D4v41 atribui isso ao trabalho de análise. "Estamos estudando mais os padrões econômicos dos adversários. Saber quando eles vão full buy ou eco pode te dar uma round de graça. Contra a RedForce, isso foi crucial."
O Elo Mais Fraco? A Força do Coletivo
Em times estrelados, sempre há a discussão sobre quem carrega o peso. No PRX, com jogadores como something e Jinggg (quando disponível), é fácil apontar para os duelistas. Mas d4v41 enfatizou a natureza coletiva do sucesso atual da equipe. "Não adianta o something entrar e fazer 3 kills se a gente não consegue segurar o site depois. Cada um tem um papel muito específico, e se um falha, o sistema todo desmorona."
Ele deu um exemplo prático de seu próprio papel como sentinela no Split. "Minha Killjoy não está lá só para pegar kills com o turret. É sobre controle de informação. Se eu consigo dizer 'tem um no B Main' com meu alarmbot, isso permite que o resto da equipe faça uma rotação inteligente ou prepare uma emboscada no outro site. A kill é consequência, não o objetivo." Essa mudança de mindset—de jogador individual para peça de um sistema—é, na visão de muitos analistas, o que separa os bons times dos grandes.
E o fator "surpresa" que sempre caracterizou o PRX? Ele ainda existe, mas de uma forma mais calculada. "Antes a gente fazia coisas aleatórias só para confundir. Agora a aleatoriedade é planejada. Temos 3 ou 4 plays 'loucas' por mapa, mas elas são praticadas. O adversário sabe que pode acontecer, mas não sabe quando." É essa camada extra de imprevisibilidade dentro de uma estrutura sólida que torna o PRX tão difícil de ler.
Olhando para o futuro imediato, o próximo desafio no grupo será outro teste de fogo. A derrota no Fracture deixou pontos a serem ajustados, especialmente nas rotas de defesa e no timing das utilidades. "Vamos revisar o VOD e ver onde eles nos exploraram. Eles fizeram um bom trabalho no mid, usando smokes para cortar nossa visão. Precisamos de um plano B para quando isso acontecer."
O meta "explosivo" que d4v41 descreveu também força adaptações constantes. A ascensão da Neon e o declínio relativo do Yoru significam que os times devem repensar como defendem contra pushes rápidos. "Você não tem mais 40 segundos de TP do Yoru para se preocupar. Agora é uma investida direta, com muita velocidade. Sua reação tem que ser instantânea." Isso coloca uma pressão enorme nos jogadores de suporte e sentinela, que devem fornecer a informação crítica segundos mais cedo.
Para os fãs que acompanham a jornada do PRX, essa fase parece ser uma das mais interessantes. É a evolução de um time que já foi puro instinto e talento bruto para uma unidade mais polida e estratégica. A pergunta que fica é: até onde essa nova abordagem pode levá-los? A resposta começará a se desenhar nos próximos confrontos do "grupo da morte".
Enquanto isso, a conversa sobre o meta do jogo continua aquecida. A crítica de d4v41 ao timer de 60 segundos dos iniciadores ecoa em fóruns e transmissões. Alguns jogadores sugerem que um cooldown de 45 ou até 40 segundos tornaria as rodadas mais dinâmicas e reduziria a eficácia das composições puramente explosivas. Outros argumentam que isso quebraria o equilíbrio de outros agentes. A Riot Games, como sempre, tem a palavra final, mas é fascinante ver como os profissionais no topo do jogo diagnosticam seus problemas centrais.
E o próprio d4v41, como se sente sendo uma das vozes mais ponderadas e analíticas de uma equipe conhecida por seu estilo agressivo? Ele ri quando perguntado sobre isso. "Alguém tem que ser o chato, né? Enquanto todo mundo quer correr e atirar, eu fico no fundo pensando nas utilidades." Mas no fundo, dá para perceber que ele entende o valor desse contraponto. Em um cenário onde todos buscam a jogada espetacular, às vezes a vitória está em simplesmente não cometer aquele erro crucial.
Fonte: THESPIKE




