Mentalidade de underdog e comunicação: os pilares do sucesso da iM
Em um cenário competitivo onde a pressão pode definir vitórias ou derrotas, a equipe iM encontrou uma fórmula peculiar para lidar com os desafios. "Trabalhamos muito em nossa comunicação e em como falamos quando alguma merda acontece", revelou o jogador romeno em entrevista recente.
Essa abordagem direta e transparente parece ter sido fundamental para o desempenho da equipe. Mas o que exatamente isso significa na prática? Como times podem aprender com essa experiência?
A força de se ver como underdog
O jogador explicou ainda: "Dissemos no bootcamp que precisávamos nos sentir como underdogs". Essa mentalidade, segundo ele, permite que a equipe jogue melhor quando não é a favorita.
Na psicologia esportiva, essa abordagem não é exatamente nova. Times que se veem como desafiadores muitas vezes:
Jogam com menos pressão
Têm maior liberdade para arriscar
Desenvolvem resiliência mais rapidamente
Mas o que chama atenção no caso da iM é como eles combinaram essa mentalidade com um trabalho específico em comunicação interna. Afinal, não basta se ver como underdog - é preciso lidar com as adversidades de forma construtiva.
Quando as coisas dão errado
O comentário sobre "como falamos quando alguma merda acontece" revela uma consciência rara em equipes competitivas. Muitos times focam apenas em estratégias de jogo, negligenciando como lidam com:
Frustrações durante as partidas
Erros individuais e coletivos
Pressão em momentos decisivos
Na minha experiência acompanhando esports, vejo que times que trabalham explicitamente nesses aspectos costumam ter uma curva de melhoria mais consistente. Não se trata apenas de habilidade técnica, mas de como o grupo reage aos percalços inevitáveis de qualquer competição.
O poder da linguagem em momentos críticos
O que diferencia a abordagem da iM não é apenas o reconhecimento de que problemas ocorrem, mas a forma como eles estruturam sua comunicação nesses momentos. "Trabalhamos muito em como falamos" sugere um protocolo interno para situações de tensão - algo que muitas equipes deixam ao acaso.
Imagine uma partida decisiva onde um jogador comete um erro crucial. Em muitos times, a reação imediata seria de culpa ou silêncio constrangedor. Mas e se, em vez disso, houvesse um vocabulário pré-estabelecido para esses momentos? Frases como:
"Vamos resetar" (em vez de "Você estragou tudo")
"Precisamos ajustar X" (em vez de apontar falhas pessoais)
"Próxima rodada é nossa" (criando perspectiva imediata)
Essas pequenas mudanças linguísticas podem parecer insignificantes, mas têm um impacto profundo na dinâmica do time. Lembre-se: em competições de alto nível, a diferença entre vencer e perder muitas vezes está no estado mental, não apenas na habilidade técnica.
Da teoria para a prática: implementando mudanças
Adotar essa mentalidade exige mais do que boa vontade. Requer treinamento específico e, curiosamente, vulnerabilidade por parte dos jogadores. Afinal, reconhecer que "merdas acontecem" é admitir que o time não é perfeito - algo que vai contra o instinto competitivo de muitos atletas.
Algumas estratégias que observamos em times como a iM:
Sessões de análise pós-jogo focadas em comunicação, não apenas em jogadas
Exercícios de simulação de situações de estresse durante os treinos
Desenvolvimento de um "manual de crise" com frases e abordagens pré-definidas
Rodízio de liderança para que todos se sintam responsáveis pela comunicação
O interessante é que essas práticas não são exclusivas dos esports. Empresas de tecnologia, equipes cirúrgicas e até tripulações aéreas utilizam métodos similares para melhorar sua performance sob pressão. Talvez o sucesso da iM esteja justamente em importar essas técnicas para o mundo dos jogos competitivos.
O equilíbrio entre confiança e humildade
A mentalidade de underdog traz um paradoxo interessante: como manter a crença na vitória enquanto se assume a posição de desafiante? A iM parece ter encontrado uma resposta na forma como estrutura sua narrativa interna.
Em vez do clássico "somos os melhores" ou do derrotista "não temos chance", eles adotam uma postura mais matizada: "Podemos vencer se...". Essa pequena mudança:
Mantém a ambição competitiva
Reconhece os desafios reais
Foca em fatores controláveis
Na prática, isso se traduz em menos ansiedade pré-jogo e mais capacidade de adaptação durante as partidas. Afinal, quando você já antecipou que problemas ocorrerão, fica mais fácil lidar com eles no calor do momento.
Com informações do: HLTV


