A Cloud9 está em uma sequência de três vitórias consecutivas em partidas oficiais pela primeira vez em três anos, o que pode sinalizar o início de uma fase forte para a organização. Após a vitória sobre a Fluxo W7M no VALORANT Champions Tour 2026 - Americas Stage 2, o THESPIKE conversou com Zellsis sobre a fase recente da Cloud9, como ele encontrou seu espaço na nova formação do time e como a equipe quer provar que tem talento além de OXY.

Um novo capítulo para a Cloud9

Desde a vitória sobre a KRÜ Esports na Fase de Grupos, a Cloud9 vem encontrando seu ritmo e entregando atuações cada vez mais confiantes nas últimas semanas, o que ajuda a construir uma boa fase para os Play-Ins. Sobre a preparação, o time focou em fortalecer o mapa pool, usando a derrota no primeiro mapa como uma oportunidade para se adaptar e voltar mais forte.

THESPIKE: Esta Cloud9 apareceu muito mais confiante e coesa do que vimos na Fase de Grupos. Como foi a preparação para esta partida?

Zellsis: "A preparação foi focada principalmente em nós. Estávamos tentando fortalecer um pouco mais o nosso mapa pool. Em Lotus, tomamos eco e depois não seguimos bem o nosso plano de jogo, que é algo que vínhamos trabalhando para aquele mapa. Espero que na próxima vez que jogarmos Lotus possamos seguir o plano e parecer muito melhores. Os próximos dois mapas foram um passeio, e acho que tudo ficou mais fácil depois do primeiro mapa, onde levamos um soco na cara e não sabíamos bem como reagir. Nos dois mapas seguintes, ficamos muito mais confortáveis. Simplesmente jogamos o nosso jogo, sem tentar pensar demais no que eles estavam fazendo, e focamos em nós mesmos. Funcionou bem para nós."

Um começo difícil para o Tier 2 no VCT Americas

No VCT Americas 2026: Stage 2, nenhum time do Tier 2 conseguiu vencer uma série contra um adversário do Tier 1, incluindo a Fluxo W7M, que caiu para a Cloud9. No entanto, Zellsis acredita que essas equipes têm muito talento e que a cena foi prejudicada pela decisão de combinar várias regiões, reunindo diferentes públicos e comunidades sob o mesmo guarda-chuva.

É uma discussão interessante, não acha? Quando você junta cenários com culturas e estilos de jogo tão distintos, a adaptação leva tempo. E tempo é algo que nem sempre existe no calendário competitivo.

Na minha visão, o que Zellsis está apontando é um problema estrutural, não de talento individual. Os jogadores do Tier 2 têm mecânica e potencial de sobra — o que falta é experiência competitiva contra o nível de pressão que o Tier 1 impõe. E isso só se resolve com mais oportunidades de jogo, não com menos.

O comentário de Zellsis sobre o "pequeno" se tornar o "próximo grande nome" ecoa uma narrativa que vimos em várias regiões: times promovidos do Tier 2 frequentemente chegam com sede de vitória e uma abordagem mais agressiva, mas esbarram na consistência dos times estabelecidos. A pergunta que fica é: quanto tempo até essa diferença diminuir?

Para a Cloud9, a sequência atual é um sinal de que o trabalho está dando resultado. Mas o verdadeiro teste virá nos Play-Ins, onde a pressão aumenta e cada erro é punido. Será que a equipe consegue manter o nível? E mais importante: será que o circuito de 2027 vai dar mais espaço para esses times "pequenos" mostrarem seu valor?

O que sabemos é que Zellsis e companhia estão fazendo sua parte dentro do servidor. O resto, o tempo dirá.

O caminho de Zellsis até a Cloud9

Para entender o momento atual da Cloud9, é preciso olhar para trás e ver como Zellsis chegou até aqui. O jogador, que já passou por organizações como Sentinels e Version1, construiu sua reputação como um dos jogadores mais versáteis do cenário. Mas a transição para a Cloud9 não foi imediata — houve um período de adaptação, de encontrar seu papel dentro de uma equipe que já tinha uma identidade formada em torno de OXY.

"Quando entrei, sabia que não seria fácil", admite Zellsis. "O time já tinha uma dinâmica, um jeito de jogar. Meu trabalho era me encaixar sem perder o que eu trago de diferente. Acho que hoje, depois de alguns meses, finalmente estou conseguindo mostrar isso dentro do servidor."

E os números confirmam essa evolução. Nas últimas partidas, Zellsis tem aparecido consistentemente entre os melhores do time em rating, com destaque para suas atuações em mapas como Bind e Ascent, onde sua leitura de jogo e capacidade de fazer plays agressivas têm sido fundamentais para desequilibrar as partidas.

A importância de OXY — e o que vem além dele

É impossível falar da Cloud9 sem mencionar OXY. O jovem prodígio tem sido o principal nome da equipe, com números impressionantes e uma consistência que impressiona até os veteranos. Mas Zellsis faz questão de ressaltar que o sucesso do time não depende apenas dele.

"OXY é um fenômeno, isso ninguém pode negar", diz Zellsis. "Mas a gente tem mostrado que não é um time de um jogador só. O pessoal está evoluindo, cada um está encontrando seu espaço. Quando o OXY não está no seu melhor dia, a gente consegue se apoiar em outras peças. Isso é o que faz um time forte."

E essa evolução coletiva é visível. Jogadores como Xeppaa e Mitch têm aparecido mais nas estatísticas, e a comunicação do time parece mais fluida. A vitória sobre a Fluxo W7M, por exemplo, foi construída em um esforço conjunto, com todos contribuindo em momentos-chave.

Na minha opinião, essa é a maior mudança na Cloud9 em relação ao início do ano. Antes, o time parecia depender demais de OXY para gerar impacto. Agora, há uma distribuição mais equilibrada de responsabilidades, o que torna o time muito mais difícil de ser lido pelos adversários.

O que esperar dos Play-Ins e do futuro

Com a vitória sobre a Fluxo W7M, a Cloud9 garantiu uma posição mais confortável para os Play-Ins do VCT Americas Stage 2. Mas Zellsis não se ilude com a fase atual.

"A gente sabe que os Play-Ins são outro nível", explica. "Os times que vão estar lá são os melhores da região, e qualquer erro pode custar caro. Mas a gente está confiante. A base que construímos nessas últimas semanas é sólida, e acho que podemos surpreender."

O calendário, no entanto, é apertado. A equipe terá pouco tempo para descansar e se preparar para a próxima fase, e a pressão por resultados é grande. Mas Zellsis parece tranquilo em relação a isso.

"Pressão sempre vai existir, mas a gente aprendeu a lidar com ela", diz. "O importante é manter o foco no que a gente controla: nosso jogo, nossa preparação, nossa mentalidade. O resto é consequência."

E se a Cloud9 conseguir manter esse nível, não seria surpresa vê-la avançando nos Play-Ins e talvez até brigando por uma vaga em um torneio internacional. O potencial está lá, e o time parece finalmente ter encontrado o equilíbrio que faltava.

Mas, como Zellsis mesmo disse, o "pequeno" pode se tornar o "próximo grande nome". E talvez essa seja a história que estamos vendo se desenrolar diante dos nossos olhos — não apenas para a Cloud9, mas para todo o cenário do Tier 2 que busca seu espaço no VCT Americas.



Fonte: THESPIKE