Um dos debates mais acalorados na comunidade de Call of Duty está prestes a ganhar um capítulo crucial. A Activision anunciou que o beta de Black Ops 7 vai incluir um novo modo de jogo chamado "Open Moshpit", uma playlist onde a consideração por habilidade no emparelhamento de jogadores será "drasticamente reduzida". Para muitos fãs, isso soa como música para os ouvidos. Afinal, quantas vezes você já entrou em uma partida só para ser esmagado por oponentes que parecem ter nascido com um controle na mão?
O que é o "Open Moshpit" e por que ele importa?
Em termos simples, o "Open Moshpit" será uma playlist separada dentro do multiplayer. A grande diferença? O sistema de matchmaking por habilidade (SBMM, na sigla em inglês) será muito menos rigoroso. Em vez de algoritmos tentando constantemente equilibrar as partidas com base no seu desempenho histórico, você encontrará uma variedade maior de jogadores – desde novatos até veteranos experientes. A ideia é criar um ambiente mais casual e imprevisível, reminiscente dos servidores de antigamente, onde a sorte do sorteio era parte da diversão.
Isso é um alívio para quem sente que o SBMM moderno transforma cada partida em uma competição de alto nível, sem espaço para relaxar ou experimentar armas diferentes. Já pensou em tentar uma classe de armas nova sem ser punido instantaneamente por não estar no seu melhor? O "Open Moshpit" pode ser a resposta.
O longo debate sobre o SBMM
O matchmaking por habilidade não é novo, mas sua implementação agressiva nos títulos recentes de Call of Duty virou um ponto de discórdia. De um lado, os desenvolvedores argumentam que ele é essencial para reter jogadores novatos, evitando que sejam constantemente derrotados por oponentes muito superiores. É uma questão de acessibilidade. Do outro lado, jogadores mais experientes e a comunidade "hardcore" reclamam que o sistema cria uma experiência exaustiva, onde cada vitória é seguida por partidas progressivamente mais difíceis, como uma montanha-russa sem fim.
O anúncio do "Open Moshpit" parece ser um raro meio-termo. A Activision não está removendo o SBMM do jogo principal – ele continuará presente na maioria das playlists. Mas está oferecendo um espaço dedicado para quem busca uma experiência diferente. É uma jogada inteligente, que reconhece a divisão na base de fãs sem descartar completamente um sistema que, vamos ser honestos, provavelmente funciona para uma parcela silenciosa da player base.
O que esperar do beta e além
A inclusão deste modo no beta é significativa. Ela permite que os desenvolvedores coletem dados valiosíssimos em tempo real. Eles poderão medir não só a popularidade do "Open Moshpit", mas também seu impacto na retenção de jogadores, no tempo de espera por partidas e, claro, no sentimento geral da comunidade. Os feedbacks durante este período serão cruciais para decidir o destino do modo no lançamento final e em temporadas futuras.
Minha experiência com betas me diz que este será um dos aspectos mais testados e debatidos. Será que o modo vai atrair principalmente os melhores jogadores, criando um poço sem fundo para os casual? Ou vai se tornar um refúgio saudável para todos? A verdade é que equilibrar a diversão casual com a competição justa é um dos maiores desafios dos jogos online atuais.
E aí, você vai testar o "Open Moshpit" no beta? Acha que é a solução que a comunidade precisava, ou apenas um paliativo? De qualquer forma, é um experimento fascinante que pode influenciar não só o futuro de Black Ops 7, mas a filosofia de matchmaking da franquia como um todo. Só nos resta aguardar para ver os dados – e as reações – começarem a chegar.
Mas vamos além do anúncio. O que realmente significa "drasticamente reduzida"? A Activision foi propositalmente vaga nos detalhes técnicos, o que, francamente, é uma jogada esperada. Eles não vão revelar a receita secreta do algoritmo. No entanto, baseado em como outros jogos tentaram abordagens similares, podemos especular. Talvez o sistema leve em conta apenas uma janela de tempo muito recente do seu desempenho, ou ignore completamente estatísticas de K/D (abates/mortes) em favor de métricas mais simples, como nível ou tempo de jogo. Ou, numa abordagem mais radical, pode ser que o emparelhamento priorize simplesmente a conexão de rede e o tempo de espera, relegando a habilidade a um fator secundário quase insignificante.
E isso levanta uma questão interessante: será que os jogadores realmente querem um SBMM zero? Ou será que eles anseiam por uma ilusão de casualidade? Porque vamos combinar, ser constantemente colocado no topo do placar pode ser divertido por um tempo, mas até isso enjoa se não houver desafio. O verdadeiro desejo, na minha opinião, é por variedade. Uma partida fácil, seguida de uma equilibrada, seguida de uma onde você precisa suar a camisa para sobreviver. O SBMM moderno, com seu ajuste fino constante, muitas vezes elimina esses altos e baixos naturais, criando uma linha reta de tensão competitiva.
O impacto na meta do jogo e nas "classes"
Isso tem o potencial de mudar completamente a maneira como as pessoas jogam. No ambiente de SBMM rigoroso, a meta (as estratégias e armas mais eficazes) é rei. Usar uma arma "off-meta" ou uma classe de perks experimental é um convite para sofrer. No "Open Moshpit", essa pressão diminui. De repente, aquela arma estranha que você achou na caixa de suprimentos ou aquele equipamento tático que ninguém usa pode se tornar viável – ou até mesmo divertidamente eficaz contra jogadores desprevenidos.
Imagine a cena: você entra no jogo querendo apenas completar um desafio específico, como conseguir mortes com granadas de impacto. No modo normal, isso é um martírio. No "Open Moshpit", pode se tornar uma tarefa plausível, até prazerosa. Isso pode revitalizar a experimentação e trazer de volta um elemento de surpresa que se perdeu em meio à otimização extrema. Os próprios desenvolvedores devem estar curiosos para ver quais armas e táticas emergirão num ecossistema menos controlado.
Os riscos não ditos: toxicidade e smurfing
Nem tudo são flores, claro. Um ambiente com matchmaking mais solto é um terreno fértil para problemas. O mais óbvio é o aumento potencial de smurfing – jogadores experientes criando contas novas para dominar lobbies de iniciantes. Se o "Open Moshpit" se tornar popular, pode atrair justamente esse tipo de jogador em busca de uma sensação fácil de poder. A Activision terá que monitorar isso de perto, talvez implementando verificações de nível ou tempo de jogo mesmo nessa playlist para coibir abusos flagrantes.
Outro ponto é a toxicidade. Partidas desequilibradas podem gerar frustração rápida. Um novato sendo repetidamente eliminado por um veterano pode não achar a experiência "casual" nem um pouco divertida. Sem o amortecedor do SBMM, a comunidade precisará de uma moderação talvez mais ativa, e os sistemas de denúncia podem ficar sobrecarregados. É um equilíbrio delicado: oferecer liberdade sem transformar o modo em um vale-tudo desagradável.
E você, já parou para pensar como se sentiria sendo a pessoa que "estraga" a partida dos outros? É estranho, mas em um lobby misto, todo mundo ocupa, em algum momento, o papel do novato ou do veterano. Essa rotação de papéis, quando natural, pode até fomentar mais camaradagem do que o sistema atual, onde todos estão presos em sua própria bolha de habilidade.
Um teste para o futuro da franquia
O sucesso ou fracasso do "Open Moshpit" no beta vai ecoar muito além do Black Ops 7. Outras franquias competitivas, como Battlefield ou Halo, certamente estarão de olho. Se os números mostrarem um engajamento alto sem uma queda catastrófica na retenção de jogadores novatos, podemos ver uma tendência se formando na indústria. A era do SBMM onipresente e inflexível pode estar dando lugar a uma abordagem mais modular, onde o jogador tem alguma agência sobre o tipo de experiência que busca.
Isso poderia levar a playlists ainda mais especializadas no futuro. Que tal um "Moshpit Tático" com SBMM forte para quem quer pura competição? Ou um "Moshpit Caótico" onde até mesmo o mapa é aleatório e as regras mudam? As possibilidades se abrem. A decisão da Treyarch e da Activision de testar isso abertamente no beta, em vez de implementar silenciosamente no lançamento, é um sinal de que eles levam o feedback a sério – ou pelo menos reconhecem o poder narrativo desse gesto.
No fim das contas, o "Open Moshpit" é mais do que um simples modo. É um experimento social dentro do ecossistema de Call of Duty. Ele testa a hipótese de que uma parte significativa da base de jogadores adulta, com menos tempo para se dedicar, prefere a imprevisibilidade e os momentos memoráveis (sejam eles de glória ou de fracasso hilário) à consistência clínica e estressante do SBMM. Os dados vão responder. Mas enquanto isso, a expectativa já mudou o clima. Pela primeira vez em anos, a conversa sobre matchmaking em CoD não é apenas de reclamação, mas de curiosidade genuína sobre o que vem a seguir.
Fonte: Dexerto



