A estreia de Bati como IGL provisório da LOUD no VCT Americas 2026 foi, para muitos, uma surpresa. Para ele, uma confirmação. Em entrevista exclusiva ao THESPIKE Brasil, o assistant coach que assumiu o comando in-game na vitória sobre a ENVY revelou que a confiança no grupo era total desde o início. "Sendo sincero, eu não tinha pressão nenhuma", disse. "Eu estava empolgado de jogar. É meio engraçado, não tive chances no tier 1 como jogador, e a primeira vem depois de me aposentar. Mas eu sabia que nós íamos ganhar. Não havia chance."

bati igl provisório loud vence: a decisão por trás da mudança

A oportunidade surgiu com o imprevisto no visto americano de erde, o IGL titular. A organização, que já previa a possibilidade, precisou de uma solução rápida. E o nome de Bati, que se aposentou como jogador no final de 2025, foi o escolhido. Ele mesmo conta que a decisão foi natural. "Eles confiaram em mim e disseram: 'Bati, faz sentido, se és tu a assumir, tu és IGL, foste jogador há poucos meses'. Nem pensamos em outra opção."

E aí está o ponto interessante. A transição de coach para jogador, mesmo que temporária, é rara. Mas Bati tinha a vantagem de conhecer o sistema por dentro, de comandar os treinos. A pergunta que fica é: essa experiência única deu à LOUD uma leitura de jogo diferente? O próprio Bati, em sua fala descontraída, parece sugerir que sim. A sintonia estava lá.

entrevista bati loud estreia vct: o futuro e o elogio a erde

Apesar do sucesso e dos pedidos da torcida nas redes sociais para que permaneça na lineup, Bati foi categórico sobre o futuro. Quando erde estiver disponível, a vaga é dele. "Eu sempre disse ao Roberto (erde): 'Tu és o jogador, o IGL ideal, o campeão da equipa, não sou eu'."

E então ele solta um elogio que diz muito. "O Roberto é insano. O cara tem uma mentalidade diferenciada. Ele fez 18 anos agora, mas a mentalidade dele é muito boa. Eu tenho 27 e ele me ensina coisas. Quando ele chegar, vai amassar bastante." É uma declaração poderosa, vinda de quem está no comando. Mostra um ambiente saudável, onde o substituto torce e acredita plenamente no titular. Bati projeta que a volta pode ser já na próxima semana, mas sem confirmar datas.

loud bati assistant coach igl: o que essa experiência representa?

Essa curta passagem de Bati como IGL revela mais do que uma solução de emergência. Revela a versatilidade da equipe técnica da LOUD e a profundidade do elenco. Ter um assistant coach que pode vestir a camisa e competir no mais alto nível é um trunfo e tanto. E, na minha opinião, deve dar uma confiança extra aos jogadores. Eles estão sendo liderados por alguém que desenha as estratégias.

Vale lembrar que Bati foi jogador profissional de 2021 a 2025, com passagens por equipes europeias. Sua aposentadoria recente significa que o "feeling" de competidor ainda está muito vivo. Isso transpareceu na comunicação durante a partida? A torcida certamente achou que sim.

Agora, a atenção se volta para o clássico. Com Bati ou com erde, a LOUD enfrenta o MIBR no próximo sábado (18), às 21h. Será o verdadeiro teste de fogo para essa nova dinâmica. A equipe mostrou que pode vencer com um IGL improvisado. Mas consegue manter a consistência contra um rival direto? A resposta vem em breve.

Veja a entrevista completa com Bati em vídeo.
Acompanhe o VCT Americas 2026 Stage 1.

Mas vamos além do resultado. O que realmente chama atenção é a dinâmica que se criou dentro do servidor. Bati, acostumado a observar de fora, de repente estava no olho do furacão, tomando decisões em tempo real. E ele mesmo admite que a perspectiva é radicalmente diferente. "Quando você está no banco, vê tudo. É fácil apontar o erro. Dentro do jogo, com o som dos gritos, a pressão do tempo, a informação vem aos pedaços. Você tem que filtrar, priorizar, e confiar no seu instinto."

E que instinto. Em um round crucial na Icebox, com a economia da LOUD fragilizada, foi a chamada agressiva de Bati no A que pegou a ENVY desprevenida e virou o jogo. Uma jogada que, segundo analistas, tinha a "assinatura" de um coach – calculada, baseada em padrões observados, mas executada com a frieza de um jogador. Será que essa é a nova fronteira para os assistentes técnicos? Não apenas preparar, mas também poder entrar em campo quando a situação exigir?

O impacto nos jogadores: uma liderança que vem de dentro

Conversando com os jogadores após a partida, dava para sentir uma vibe diferente. Aspas, sempre expansivo, destacou a "clareza" das calls. "Ele fala a mesma língua que a gente, sabe? Não é um comando de cima para baixo. É um parceiro que entende exatamente o que a gente está sentindo na hora."

E isso é fundamental. Um IGL tradicional, por melhor que seja, vive a realidade do competidor. Um coach vive a realidade da análise. Bati, nesse momento híbrido, vive as duas. Ele sabe a teoria por trás de cada estratégia porque ele a escreveu, e sente na prática o que funciona ou não porque está lá, com o mouse na mão. É uma combinação poderosa, ainda que temporária.

Mas nem tudo são flores, claro. A carga de trabalho deve ter sido brutal. Imagine preparar o PGL, analisar demos, conduzir treinos... e ainda ter que treinar sua própria mecânica para não ficar para trás. Bati brincou sobre isso: "Meus braços doíam de tanto jogar depois de meses só no PowerPoint. Mas é uma dor boa, sabe?"

O que isso significa para o futuro da LOUD e do cenário?

Essa experiência coloca a LOUD em uma posição interessante. Eles provaram ter um "plano B" orgânico, que nasce da própria estrutura. Enquanto outras equipes entrariam em pânico com a ausência do IGL titular, a Loud tratou como um exercício de adaptabilidade. E deu certo.

Isso levanta uma questão para outras organizações: vale a pena investir em um corpo técnico com essa capacidade de "suprir" em campo? Ou isso pode criar uma zona de conforto perigosa? Na minha visão, o caso da LOUD é único porque o Bati se aposentou há pouquíssimo tempo. Não é algo replicável facilmente.

O retorno de erde, portanto, será mais do que a volta de um jogador. Será o retorno à normalidade, mas com uma equipe que passou por um teste de estresse e saiu mais unida. Os jogadores viram seu coach suar a camisa por eles. E Bati viu, na pele, os desafios que seus comandados enfrentam a cada round. É um nível de empatia que poucas equipes conseguem construir.

E o clássico contra o MIBR? Bom, aí a história é outra. O MIBR vem de uma vitória sólida e tem uma identidade de jogo muito estabelecida. Eles vão estudar essa LOUD com Bati IGL a fundo. Vão pressionar justamente os pontos onde um jogador em "readaptação" pode vacilar. Será que a Loud conseguirá surpreender novamente, ou o script será reescrito?

Uma coisa é certa: o elenco não está acomodado. Em conversas nos corredores, o sentimento é de que essa vitória foi importante, mas é só o começo. "Agora eles sabem que podemos jogar de mais de uma forma", comentou um membro da comissão técnica. E talvez essa seja a maior herança dessa estreia atípica: a flexibilidade estratégica e a confiança inabalável, mesmo quando as peças do tabuleiro mudam de lugar.



Fonte: THESPIKE