Özgür "woxic" Eker, o AWPer da equipe Aurora, revelou em entrevista exclusiva à HLTV que sua equipe está trabalhando mais do que nunca para elevar seu nível de jogo e alcançar resultados mais consistentes no cenário competitivo de Counter-Strike. Após uma fase irregular e a recente ausência de Ismailcan "XANTARES" Dörtkardeş, que impediu treinos completos por quase três semanas, a equipe busca reencontrar sua identidade no Esports World Cup.
O trauma da virada histórica do MongolZ
woxic não esconde o impacto da derrota devastadora para The MongolZ no BLAST Bounty, onde a Aurora desperdiçou uma vantagem de 11-1. "Ainda não consigo acreditar no que aconteceu lá", admite o jogador. "Na minha vida regular, eu apenas digo 'isso não aconteceu, não existe de forma alguma. É apenas um sonho, um pesadelo, e agora seguimos em frente'."
Essa abordagem, segundo ele, é necessária para preservar sua sanidade mental. woxic analisa que partidas como essa são extremamente raras - algo que acontece "apenas uma ou duas vezes na vida" - mas acredita que as mudanças na economia do lado CT tornaram esse tipo de reviravolta mais possível.
"O que fizemos e o que eles fizeram é possível porque a economia do lado CT está muito melhor agora", explica. "Você consegue comprar double-AWPs, travar o bomb e coisas do tipo. Acho que isso é mais divertido e veremos mais esse tipo de jogo nos próximos eventos."
Os problemas no lado T e a busca por soluções
Além do trauma recente, a Aurora enfrenta dificuldades consistentes em seus lados terroristas, particularmente em Mirage. woxic identifica múltiplas causas para o problema: "Não há apenas uma razão por trás disso. Acho que não somos tão bons em nos seguirmos. Uma coisa acontece de um lado, e o outro lado não consegue entender a situação."
O jogador turco é direto ao admitir que as estatísticas não mentem e que há questões fundamentais a serem resolvidas. "Definitivamente há algum problema com os jogadores em si, talvez a forma de jogar o mapa, talvez no aspecto tático, talvez as pessoas não estão fazendo extra e não assumindo responsabilidade para fazer algo."
woxic acredita que pequenas contribuições individuais fazem toda a diferença: "Acho que todos eles dão cinco por cento, seis por cento, o que te deixa pior jogando no lado T. Vamos resolver isso, sabemos como consertar."
Metas ambiciosas exigem sacrifícios
Após um início de ano promissor com consistentes classificações para o top 4, a Aurora enfrentou uma queda de performance após o PGL Astana, onde terminaram em terceiro. woxic reconhece que a ausência de XANTARES complicou os treinos, mas não permite desculpas: "Antes disso, não há desculpa para nenhum deles. Precisamos estar mais focados em nossos objetivos porque não estamos satisfeitos - você pode perguntar para qualquer um do time - não é mais satisfatório chegar às quartas-de-final."
A equipe estabeleceu metas claras e ambiciosas: "Esse é nosso objetivo: ir para finais, pelo menos semifinais, em todos os eventos. Se esse é seu objetivo, você precisa sofrer, basicamente."
woxic enfatiza a necessidade de evolução constante em um cenário cada vez mais competitivo: "Porque as pessoas estão melhorando, nós também temos que melhorar. Quando alguns outros times estão melhorando 20 por cento, nós não podemos melhorar apenas sete por cento."
Preparação para o Esports World Cup
Após o desempenho abaixo do esperdo no BLAST Bounty, woxic afirma que a Aurora chega ao Esports World Cup com determinação renovada. "Como falhamos tão feio no torneio anterior, nós apenas queremos mostrar que foi apenas um evento de azar e foi apenas um jogo de azar. Isso não somos nós, vamos mostrar quem é a Aurora de verdade."
O jogador também compartilhou que fez ajustes em seu equipamento e aumentou sua dedicação individual: "Mudei alguns dos meus equipamentos também, mousepad e também mouse. Talvez também porque estou jogando individualmente, como FACEIT e tudo mais, muito mais do que antes."
woxic reconhece que fatores mentais e emocionais influenciam drasticamente seu desempenho: "Se estou feliz, tudo vai para o servidor das minhas veias, mas se não estou feliz e tenho um problema na minha cabeça, comigo mesmo ou com qualquer coisa que esteja me afetando, às vezes isso (torneios ruins) acontece."
Ajustes técnicos e a busca pela consistência
E falando em equipamentos, você não imagina como pequenas mudanças podem afetar drasticamente o desempenho de um jogador profissional. woxic me contou detalhes fascinantes sobre esse processo: "Mudei não apenas o mousepad, mas também o mouse, e estou testando diferentes configurações de DPI. São ajustes mínimos, mas quando você passa horas treinando diariamente, cada detalhe importa."
E não são apenas questões de hardware. O jogador turco revelou que aumentou significativamente seu tempo de treino individual. "Estou jogando muito mais FACEIT do que antes, focando em situações específicas que encontramos nas partidas oficiais. Às vezes passo horas apenas trabalhando em posicionamentos de AWP em mapas como Mirage e Inferno."
Mas aqui está o ponto interessante: woxic admite que nem sempre mais treino significa melhor performance. "Há um equilíbrio delicado entre treinar o suficiente e não chegar esgotado nos torneios. Já cometi o erro de treinar demais antes de eventos importantes e cheguei mentalmente cansado."
O fator mental: quando a cabeça não acompanha o skill
E por falar em esgotamento, nossa conversa seguiu para um território que muitos jogadores evitam: a saúde mental. woxic foi surpreendentemente aberto sobre como seu estado emocional afeta diretamente seu jogo. "Se estou feliz e confiante, tudo flui naturalmente. Minhas reações são mais rápidas, minhas decisões são mais precisas. Mas quando algo me afeta emocionalmente... é como se eu estivesse jogando com 200 de ping mental."
O que mais me impressionou foi sua honestidade sobre períodos ruins. "Todo jogador passa por fases difíceis, mas no cenário competitivo atual, você não pode se dar ao luxo de ter um dia ruim. Os times estão cada vez mais preparados e qualquer fraqueza é explorada imediatamente."
E ele tem um ponto crucial aqui: "Às vezes não é questão de treinar mais, mas de entender por que você não está performando. Pode ser estresse, problemas pessoais, ou até mesmo a pressão de expectativas. Ignorar esses fatores é como tentar consertar um software com problema reinstalando o sistema operacional sem fazer backup dos dados importantes."
A dinâmica interna da Aurora: além do server
woxic também compartilhou insights valiosos sobre como a equipe está trabalhando para melhorar sua comunicação durante as partidas. "Não se trata apenas de dar calls, mas de como damos essas calls. Um tom de voz muito agressivo em um momento errado pode quebrar completamente a confiança do time."
Ele deu um exemplo prático: "Digamos que estamos perdendo de 10-3 no lado T. Antes, talvez alguém começasse a reclamar ou culpar os outros. Agora estamos focados em manter a calma e pensar round a round. Cada round é uma nova oportunidade, independente do placar."
E sobre a ausência de XANTARES? woxic foi realista: "Claro que afetou nossos treinos, quase três semanas sem poder treinar com o time completo é complicado. Mas também nos forçou a adaptar e outros jogadores tiveram que assumir diferentes roles. No longo prazo, isso pode até nos fortalecer."
O cenário competitivo: evolução constante
Nossa conversa então migrou para uma análise mais ampla do cenário competitivo atual. woxic tem uma visão interessante sobre como o nível geral subiu dramaticamente. "Há cinco anos, talvez houvesse cinco times realmente top nível. Hoje, qualquer equipe nas fases de grupos pode te eliminar se você não estiver 100% focado."
Ele destacou especialmente a evolução das equipes asiáticas: "Times como The MongolZ não são mais surpresas. Eles treinam contra os melhores, estudam nossas estratégias, e evoluíram incrivelmente rápido. Aquele jogo que perdemos para eles foi um alerta para todo o cenário: ninguém pode ser subestimado."
E sobre a preparação para torneios específicos? woxic revelou que a Aurora está adotando uma abordagem mais metódica: "Antes talvez focássemos demais em nós mesmos. Agora estudamos profundamente cada oponente em potencial. Sabemos que outros times também nos estudam, então é um jogo constante de adaptação e contra-adaptação."
Ele deu um exemplo concreto: "Para o Esports World Cup, estamos analisando não apenas as estratégias dos times, mas também padrões individuais de jogadores específicos. Coisas como tendências de compra, posicionamentos preferidos em situações de clutch, até mesmo como eles se comunicam em rounds decisivos."
E aqui está uma percepção que achei particularmente perspicaz: "Muitas vezes a diferença entre vencer e perder não está na estratégia em si, mas em como você executa nos momentos de pressão. Times treinam milhares de horas para situations específicas, mas quando chega o round 30 com o placar 15-14, é o controle emocional que frequentemente decide o resultado."
woxic também comentou sobre a evolução das metas da equipe ao longo do tempo: "No começo, estar no top 20 do ranking HLTV era um objetivo ambicioso. Depois queríamos chegar no top 10. Agora... bem, agora nossas ambições são diferentes. Queremos consistentemente disputar finais de torneios grandes, e isso exige um nível de comprometimento que poucas equipes estão dispostas a aceitar."
Ele fez uma analog interessante: "É como escalar uma montanha. Quando você começa, qualquer colina parece grande. Conforme vai subindo, descobre que existem montanhas muito mais altas à frente. E cada nova altitude exige equipamento melhor, preparação mais cuidadosa, e mentalidade mais forte."
Com informações do: HLTV


