Em meio à agitação da FERJEE IN HOUSE, a Legacy garantiu sua vaga nos playoffs com duas vitórias consecutivas. Mas a história por trás da classificação vai além do placar. Em entrevista exclusiva à Dust2 Brasil, Andrei "arT" Piovezan, o recém-chegado capitão, abriu o jogo sobre os bastidores de sua saída repentina do Fluxo, os detalhes de sua rápida contratação pela Legacy e, o mais importante, sua visão para o futuro desta nova formação. A conversa revela não apenas os movimentos de mercado, mas a mentalidade de um líder tentando moldar uma equipe com potencial inquestionável.

Uma Saída Silenciosa e uma Chegada Relâmpago

A narrativa da mudança de arT é marcada por uma ausência: a de longas conversas. Sobre sua saída do Fluxo, ele foi direto: "Não teve muita história por trás". Segundo o jogador, uma mudança na administração da organização levou a uma decisão conjunta de que seu caminho deveria se separar do do time. Foi algo quase burocrático. "Não teve muita conversa, não teve muita 'trocação' de ideias. Foi basicamente isso, só foi anunciado mesmo." A sensação que fica é a de um capítulo fechado sem grandes cerimônias.

E o próximo capítulo começou de forma igualmente rápida, quase cinematográfica. "Eu estava jantando com a minha namorada e a Legacy me ligou", conta arT. O convite foi direto: a equipe precisava de uma mudança rápida e de um jogador disponível. Sabendo que ele estava sem time, a proposta foi feita. Para arT, que estava no banco, a decisão foi fácil. Foi uma oportunidade que surgiu no momento certo, um salto para um novo projeto sem muito tempo para hesitar. Você já parou para pensar como essas transições, que parecem tão estratégicas do lado de fora, podem ser decididas em um jantar comum?

Adaptação e a Busca pela "Casca" Competitiva

Dentro do servidor, o trabalho é de construção. arT admite que a adaptação ainda está em andamento. Trocar de In-Game Leader (IGL) no meio do caminho é um desafio tático e de comunicação. No entanto, ele destaca a atitude proativa de seus novos companheiros. "Os moleques são muito ativos", elogia. Ele fala sobre a intensidade dos treinos no Brasil, onde todos os times que estão na "finaleira" do RMR dão o máximo, o que preparou a Legacy para jogos difíceis como os que enfrentaram.

Apesar do pouco tempo, ele sente que a equipe conseguiu estabelecer um ritmo de Counter-Strike e começar a desenvolver estruturas. "Ainda estamos engatinhando nessa parte mais estrutural do time, acho que demora mais tempo", pondera, mostrando uma visão realista do processo. Mas o ambiente, segundo ele, é de uma "vibe boa", com todos participando ativamente para integrá-lo mais rápido. É interessante notar como a química humana pode acelerar – ou atrapalhar – a construção tática em um esporte tão técnico.

O Potencial Bruto de Dumau e Latto

Quando o assunto é o futuro, os olhos de arT brilham ao falar de dois jogadores em específico: Eduardo "dumau" Wolkmer e Bruno "latto" Rebelatto. Para ele, o potencial ali é "enorme", uma comparação que não faz por acaso. Ele coloca essa dupla no mesmo patamar de descoberta em que viu, no passado, o surgimento de monstros como Kaike "KSCERATO" Cerato e Yuri "yuurih" Santos.

"Acho que os dois já se provaram há muitos anos no cenário, já mostraram que eles conseguem competir no Tier 1", afirma. O desafio, agora, não é mais provar o talento individual, mas sim criar as condições para que ele brilhe coletivamente. "É mais questão de conseguirmos colocar eles na posição de brilhar... deixar eles mais confortáveis para poderem jogar o CS que gostam." É uma declaração que revela a função do capitão: ser um facilitador, um arquiteto que constrói o cenário ideal para seus artistas principais atuarem. Em minha experiência, é essa visão que separa bons times de grandes times.

E quanto ao futuro imediato? arT evita especulações grandiosas. Ele não gosta de pensar muito no longo prazo, especialmente com um Major se aproximando. Para ele, o caminho será traçado pelos campeonatos que virão. "Vamos saber se somos um time competitivo para ganhar torneios ou ainda precisamos de mais casca", diz, usando um termo clássico do esporte para denotar experiência e resistência. A jornada da Legacy, portanto, está apenas começando. Cada mapa, cada vitória e cada derrota serão lições que definirão se essa mistura de experiência e talento jovem encontrará a fórmula para competir no mais alto nível. O que você acha? Eles têm o que é preciso para desenvolver essa "casca" a tempo?



Fonte: Dust2