O líder finlandês da Natus Vincere, Aleksi "Aleksib" Virolainen, não esconde a frustração após a eliminação precoce de sua equipe no Esports World Cup 2024. Em entrevista exclusiva à HLTV, o in-game leader expressou o sentimento "devastador" de ver o time campeão da edição anterior ser eliminado logo na fase inicial por uma equipe considerada underdog.
O choque da eliminação para a 3DMAX
A NAVI, atual campeã do Esports World Cup, sofreu uma das maiores zebras do torneio ao ser surpreendida pela 3DMAX na fase eliminatória simples. A equipe francesa, que estreava com Filip "Graviti" Brankovic como caller, conseguiu uma vitória convincente que deixou os ucranianos perplexos.
"É difícil pensar em vencer depois de ser eliminado assim", confessou Aleksib logo após a derrota. A sensação de decepção era palpável em suas palavras, especialmente considerando que a equipe vinha de uma campanha semifinalista na IEM Cologne, seu primeiro evento com o novo reforço Drin "makazze" Shaqiri.
O que mais surpreendeu foi a sequência de rounds vantajosos que a NAVI perdeu. Situações de 4v2 e 5v3 que normalmente seriam garantidas se transformaram em derrotas inexplicáveis. "Honestamente, essa é uma boa pergunta, e é difícil para mim responder", admitiu o IGL, reconhecendo que problemas de comunicação podem ter sido decisivos.
O desenvolvimento de makazze e os desafios da adaptação
Em meio à frustração geral, uma luz de esperança: o desempenho do jovem makazze. O rifler suíço pareceu muito mais solto no EWC do que em Cologne, mostrando evolução em sua adaptação ao time.
"Sinto-me decepcionado por não poder proporcionar a ele mais partidas aqui no EWC", disse Aleksib, demonstrando culpa por não ter levado o novato mais longe no torneio. "Ele jogou muito bem, ouvi constantemente ele se comunicando, tentando entender o round. Às vezes ele ficou um pouco confuso porque há muita informação nova para ele, mas mesmo assim ele tentou o seu melhor e pude ver isso, então estou muito orgulhoso disso."
A integração de um novo jogador sempre traz desafios, mas a NAVI parece estar enfrentando dificuldades além do esperado. Após o bom desempenho em Cologne, o time parece ter regredido em vez de evoluir - um fato que preocupa profundamente o caller finlandês.
O caminho à frente: retornar à prancheta e reconstruir a confiança
Quando questionado sobre quando veremos a NAVI em sua melhor forma com esta formação de cinco jogadores, Aleksib foi honestamente pessimista. "A questão é que, quando jogamos nossa primeira LAN em Cologne, já parecia muito bom. Desde então, demos alguns passos para trás, e agora é devastador estar nesta situação no meio da temporada."
O processo de reconstrução da confiança parece ser o maior desafio. Tentar entender como recuperar a autoconfiança para ser a equipe que deveriam ser, e esquecer este momento difícil, será a chave para seguir em frente.
A equipe planeja realizar um bootcamp para tentar se classificar para as finais de Londres do BLAST Open, mas o calendário apertado e possíveis problemas de vistos preocupam o IGL. "Estamos tentando jogar muitos torneios, e sei que a agenda é agitada, mas precisamos continuar lutando."
Será que o cenário competitivo atual está mais difícil do que durante a boa fase da NAVI no ano passado? Aleksib hesita em responder. "Quero responder que sim, mas ao mesmo tempo quero acreditar que, com a mesma quantidade de trabalho que colocamos no ano passado, ainda somos capazes."
A equipe reconhece que precisa trabalhar ainda mais agora, mas a tarefa parece hercúlea logo após uma derrota tão dolorosa. A sensação de ter capacidade, mas não conseguir demonstrá-la quando mais importa, é talvez o aspecto mais frustrante para qualquer competidor de elite.
O que torna essa situação particularmente difícil é o timing. Estamos no meio da temporada, sem tempo para respirar entre um compromisso e outro. Mal saímos de Cologne e já estamos aqui enfrentando outra eliminação precoce. É como tentar consertar um carro em movimento - não temos o luxo de parar tudo e reconstruir do zero.
E sabe qual é a parte mais irônica? Em Cologne, contra times teoricamente mais fortes, mostramos um CS decente. Conseguimos chegar às semifinais, demonstramos que temos potencial. Mas aqui, contra uma equipe que deveríamos vencer no papel, simplesmente desmoronamos. Isso me faz questionar nossa consistência mental.
A pressão de defender o título e expectativas não atendidas
Defender o título do Esports World Cup trazia uma carga extra de pressão que talvez não tenhamos administrado da melhor forma. Todo mundo espera que você repita o desempenho do ano passado, mas as circunstâncias são completamente diferentes. Temos um jogador novo, meta do jogo mudou, e os adversários nos estudaram mais a fundo.
Às vezes me pego pensando se não cometemos o erro de subestimar a 3DMAX. Eles chegaram com nada a perder, jogando livremente, enquanto nós carregávamos o peso das expectativas. Em CS, essa diferença mental pode ser decisiva - especialmente em situações de clutch onde a confiança faz toda a diferença.
E não ajuda que o formato do torneio é brutalmente eliminatório. Um bad day e você está fora. Não há segunda chance, não há grupos para se recuperar. É justo? Talvez não, mas faz parte do jogo. Precisamos aprender a lidar com essa pressão.
Os detalhes que fazem a diferença entre vencer e perder
Quando analiso as demos, vejo que perdemos rounds que normalmente ganharíamos nove em cada dez vezes. Situações de 4v2 que viram 2v4 porque não tradingamos direito. Rotations que chegavam segundos tarde demais. Pequenos erros de posicionamento que custaram rounds cruciais.
O pior é que esses não são problemas fundamentais - são detalhes que deveríamos ter dominado há tempos. Mas quando a confiança está abalada, até o básico falha. Comunicação que era precisa em Cologne agora parece cheia de hesitações e sobreposições.
E tem outro fator: a adaptação do makazze aos nossos sistemas defensivos. Em Cologne, jogamos mais no instinto porque éramos todos novos juntos. Agora, tentamos implementar estruturas mais organizadas, e isso exige tempo de sincronia que simplesmente não tivemos.
Não estou jogando a culpa nele - longe disso. Makazze está evoluindo mais rápido do que esperávamos. Mas a realidade é que cada jogador tem timings e ritmos diferentes, e encontrar a harmonia perfeita leva mais do que algumas semanas.
O calendário implacável e a falta de tempo para ajustes
O que mais me preocupa não é necessariamente a derrota em si, mas a falta de tempo para trabalhar nossos problemas. Temos o BLAST Open qualifier em breve, depois possivelmente o Pro League se classificarmos, e assim vai. O calendário não para, e cada derrota pesa mais porque sabemos que não teremos dias de prática para corrigir os erros.
Estamos considerando seriamente sacrificar algum torneio menor para ter mais tempo de treino. É uma decisão difícil porque cada evento traz experiência valiosa, mas às vezes menos é mais. Precisamos de qualidade, não quantidade, de jogos.
O bootcamp que planejamos será crucial. Precisamos sentar numa sala, assistir às demos juntos, e ter conversas honestas sobre o que não está funcionando. Não adianta每个人 treinar individualmente se não estamos alinhados taticamente.
E tem o aspecto mental também. Derrotas como essa podem criar fissuras invisíveis num time. Desconfiança, second guessing, medo de tomar iniciativas. Precisamos resolver isso antes que se torne um problema maior.
O pior cenário seria entrar numa espiral de más resultados onde cada derrota alimenta a próxima. Já vi times talentosos desmoronarem assim, e estamos determinados a não deixar isso acontecer conosco.
Às vezes me pergunto se estamos complicando demais as coisas. Em Cologne, jogávamos um CS mais simples, mais intuitivo. Talvez tenhamos tentado implementar muitas mudanças muito rápido. Voltar ao básico pode ser a solução, pelo menos temporariamente.
O que me mantém otimista é que ainda acredito no potencial deste grupo. Vi flashes de grandeza em Cologne, e mesmo hoje contra a 3DMAX, tivemos momentos individuais brilhantes. Só precisamos transformar momentos em consistência.
E talvez essa derrota dolorosa seja o alerta que precisávamos. Às vezes você precisa cair fundo para aprender a subir mais forte. O importante é como reagiremos daqui para frente.
Com informações do: HLTV


